Pressão alta

Rui Santos
Rui Santos

Há Verdade Desportiva no V. Guimarães-FC Porto?

O FC Porto ainda não revelou, oficialmente, o nome do sucessor de Julen Lopetegui, mas isso não quer dizer nem que o clube do Dragão não tenha ainda treinador, nem que ele já esteja encontrado.

Percebe-se o impasse. Partindo do princípio que Pinto da Costa não está disposto a repetir a ‘aposta no escuro’ feita no treinador basco, é natural que o presidente do FC Porto se tivesse tentado por um nome que lhe inspirasse mais confiança. A presente época acha-se muito longe de estar perdida e, por isso, essa escolha, em princípio, a menos que fosse impossível concretizá-la, teria de combinar o interesse e a eficácia imediatos com uma perspectiva de médio prazo, isto é, para além da presente época desportiva. Ora, neste contexto, a tarefa presidencial não é fácil, porque não podemos olhar apenas para o pensamento e para a visão de Pinto da Costa, mas também para o interesse e os objectivos de quem é candidato a entrar no Dragão.

Nenhum treinador minimamente conceituado ou que esteja enquadrado num projecto minimamente aliciante ou vencedor gosta de entrar com a temporada em curso.

Diversos nomes foram aventados, que são de facto os mais lógicos: André Villas-Boas (Zenit), Marco Silva (Olympiacos) e Leonardo Jardim (Monaco). Todos com contrato e o único treinador que fica livre no final da presente época é André-Villas Boas. Acontece, porém, segundo a imprensa, que Pinto da Costa apostou as fichas (quase) todas em Marco Silva. Mas Marco Silva, a protagonizar uma ‘época de sonho’ na Grécia, ao serviço do clube que acreditou e esperou por ele, não terá muitas condições para sair agora. O contrato de Leonardo Jardim é, de todos, o mais longo (até 2019), há quem fale em negociações avançadas e, nestas coisas, já se sabe que são colocadas muitas ‘lebres’ a correr. O cenário que consideraria mais lógico seria esperar por André Villas-Boas no final da época. É bom não esquecer a afirmação de há meses segundo a qual queria regressar a Portugal e recusou a renovação do contrato com o Zenit, mas também é preciso compreender o que vai na cabeça de André. É bom não esquecer, igualmente, a afirmação do próprio Villas-Boas que dava conta da sua vontade de não fazer uma carreira muito longa enquanto treinador. Pinto da Costa tem um problema no imediato: um título para disputar e um ‘Ferrari’ sem condutor. Há sempre a possibilidade de se recorrer a um ‘ajudante’, como Rui Barros ou Luís Castro, mas a última vez que isso aconteceu (precisamente com Luís Castro) a coisa não correu bem.

Eliminadas as possibilidades principais (a ver vamos nas próximas horas ou dias), começou a falar-se da hipótese Sérgio Conceição, actual treinador do V. Guimarães. O Record de ontem dava conta que "Sérgio Conceição está bem encaminhado" e "pode ser apresentado segunda-feira".

Há um Vitória-FC Porto, amanhã, em Guimarães. Sérgio Conceição pode, até, nem rumar ao Dragão e cumprir contrato na Cidade Berço. Contudo, perante as notícias das últimas 48 horas, é estranho (?) que ninguém, nem do lado do FC Porto, nem do lado do Vitória, viesse prontamente a público desmentir tal notícia. É que, na hipótese de ser verdade, temos o treinador do adversário directo do FC Porto a ser contactado e isso, em última análise, pode até ter consequências no próprio jogo.

Se não é verdade, o FC Porto tinha obrigação de o desmentir, a pensar no jogo com o V. Guimarães. Se não é verdade, o V. Guimarães tinha obrigação de fazer o desmentido, a pensar no jogo com o FC Porto. A pior coisa que pode acontecer é as pessoas estarem a ver o V. Guimarães-FC Porto e a admitir que o treinador do V. Guimarães já é o treinador do FC Porto. E na hipótese de ser, embora não formalmente, o treinador do FC Porto, e sem que esta questão tenha a ver com honestidade, como está a cabeça de Sérgio Conceição?

Espero sinceramente que, durante o dia de hoje, sábado, fiquem claras uma de três coisas:
1. Se o novo treinador do FC Porto não for Sérgio Conceição, o jogo de Guimarães fica limpo de qualquer tipo de ‘vírus’, e era importante que fosse declarado como tal;
2. Se o treinador do FC Porto ainda puder ser Sérgio Conceição, era importante que os dois clubes assumissem as (eventuais) negociações para não se adensar o estigma sobre a partida de amanhã;
3. Se o novo treinador do FC Porto for Sérgio Conceição, espera-se que os dois emblemas tenham a elevação ética de o assumir (hoje ou amanhã) e, nesse caso, Sérgio Conceição deveria ser poupado a não sentar-se no banco do Vitória.

No futebol em Portugal, os agentes desportivos, estejam eles no Porto, em Guimarães, em Lisboa, em Viana do Castelo ou Vila Real de Santo António, têm de se preocupar com a verdade desportiva. Ela não pode ser (mais) beliscada.


O cacto 

Bater no fundo

Depois de tudo o que se tem visto nos últimos tempos na relação que se estabelece entre responsáveis dos clubes e o sector da arbitragem, não me sai uma pergunta da cabeça: ninguém põe cobro a isto?! Onde estão os titulares de cargos públicos, onde está a tutela do Desporto, onde estão, ainda, os titulares dos cargos mais altos do futebol português? Podem dizer-me que é muito difícil alterar vícios que estão enraizados há muitos anos. É muito complicado, sem dúvida. Mas não me digam que o medo é tanto que impede uma palavra, uma chamada de atenção, um murro na mesa. A tutela do Desporto, a FPF e a Liga deveriam ser os guardiões da integridade das competições. Mas também elas estão reféns das lógicas de poder que os clubes, ciclicamente, impõem. Os regulamentos não se cumprem e quando, num assomo de coragem, se cumprem, aqui e ali, logo vem a comparação para o caso semelhante que não teve penalização. É por causa desta sensação de falta de autoridade e, também, de falta de classe (e até de educação) que a mudança parece impossível. Pressões e mais pressões. De todos os feitios. De todas as maneiras, utilizando todo o tipo de métodos.

Todos – mas todos – têm de rever os seus comportamentos. Ontem, em Alvalade, coisas muito boas (Tondela, Petit, Gelson), os piores 20 minutos (iniciais) que o Sporting fez esta época e Bruno de Carvalho, de novo, na posição de presidente-adepto, absolutamente reprovável. A histeria e uma certa esquizofrenia (transversal ao tecido futebolístico português) não trazem nada de bom. Parabéns ao Tondela, que fez um jogo competente e limpo.









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