Pressão alta

Rui Santos
Rui Santos

Justiça Desportiva está… ‘engessada’?

A semana projectou alguns temas que merecem alguma análise:

1.CASO DOS E-MAILS - Enquanto não forem conhecidos os resultados das investigações do ‘mailinGate’, o futebol português não vai conhecer nenhum tipo de tréguas — tréguas essas que seriam urgentes e indispensáveis para que o futebol em Portugal se tornasse, finalmente, respirável. Todavia, há um outro aspecto que importa considerar, em paralelo com os processos que estão na Unidade Nacional de Combate à Corrupção da PJ: o que fez, até agora, a ‘justiça desportiva’ para tentar apurar se muitas das coisas que foram trazidas para o espaço público violam o que está plasmado nos regulamentos da FPF e da Liga? É normal que, com tantas acusações e com tantos protagonistas colocados sob suspeita, designadamente os árbitros de futebol, a Comissão de Instrutores da Liga ainda não tenha chamado os visados para prestar declarações? Qual é o motivo para esse procedimento? É que não está em causa ‘apenas’ a prova de corrupção activa ou passiva. Está em causa, igualmente, o ‘exercício e abuso de influência’, cuja redacção no artigo 65 do RD da Liga diz o seguinte: "O clube que, direta ou indiretamente, exerc¸a ou abuse da sua influe^ncia, real ou suposta, junto de qualquer agente desportivo, representante, agente ou funciona´rio da Federac¸a~o ou da Liga com o fim de obter comportamento ou decisa~o destinados a modificar ou falsear a veracidade e a autenticidade de documentos, procedimentos e deliberac¸o~es, assim como o resultado ou desenvolvimento regular dos jogos das competic¸o~es desportivas sera´ punido com a sanc¸a~o de descida de divisa~o e, acessoriamente, com a sanc¸a~o de multa de montante a fixar entre o mi´nimo de 250 UC e o ma´ximo de 1.000 UC." Não é pouco, como se vê, o que está em causa (não percebo a surpresa…) e a relativização que se vai fazendo resulta da percepção de que as instituições não funcionam. Isto é tão válido para as acusações feitas pelo FC Porto ao Benfica, no âmbito dos emails que vêm sendo publicitados, como no caso da investigação aberto pelo MP à despromoção do árbitro Tiago Antunes, depois de Luís Gonçalves ter dito — segundo o relatório de Hugo Miguel — que a carreira daquele árbitro (Tiago Antunes) iria ser curta.

É importante que se apure a verdade e que ela tenha consequências, porque os clubes não podem continuar a achar que mandam nisto tudo…

2. ARBITRAGENS - O presidente do Sporting criticou a arbitragem de Clément Turpin no jogo com a Juventus, mas se o árbitro francês não fez um trabalho isento de erros, também é verdade que não se descortinaram equívocos de monta. Decompondo o jogo em 6x15 minutos, não vislumbrámos nenhum ‘erro grave’ nos seguintes períodos:
00-15 MIN - 0
15-30 MIN - 0
30-45 MIN - Há uma mão de Ristovski nas costas de Mandzukic, cuja falta não deveria ter sido assinalada e foi, até, ridícula, mas a acabar a primeira parte, ao minuto 45, o árbitro deixou passar uma falta clara de Coates sobre o mesmo Mandzukic, à entrada da área leonina.
45-60 MIN - 0
60-75 MIN - 0
75-90 MIN - 0

Quer dizer: mais do mesmo…Se é verdade que os ‘leões’ já foram, noutros momentos, na Europa, muito prejudicados — o que leva os adeptos a assobiar o hino da Champions, antes dos jogos começarem — agora não foi o caso. O objectivo foi — parece claro — arranjar mais um pretexto para se lançar outra ‘granada’ para dentro da FPF. Em tempo de ‘guerra’…
Todavia, a falta de ‘afectividade’ das ‘arbitragens europeias’ nos jogos do Benfica em Manchester e do Sporting com a Juventus, levam o debate para outro plano: a pressão dos clubes sobre as equipas de arbitragem em Portugal ultrapassa tudo o que é razoável.

3. CALIMEROS, NÃO! - Sérgio Conceição tem a noção de que o plantel do FC Porto não é tão vasto quanto gostaria e que essas limitações, por imperativo da UEFA, por força do fair-play financeiro, se fazem sentir, em particular, no espaço europeu e queixou-se de voltar à competição esta noite, com menos de 72 horas de intervalo. Na verdade, são cerca de 71 horas. O problema é que Sérgio tem Danilo castigado, Marega e Corona lesionados, que se juntam a Soares e Otávio, e reinventar soluções tem sido possível (útil e eficaz), mas há limites…

A sobrecarga de jogos acontece com todas as equipas; simplesmente, transforma-se num ‘drama’ em Portugal. Se olharmos para os jogos que envolveram as equipas portuguesas e respectivos adversários, quer na Champions, quer na Liga Europa, podemos ver quais são as que, após as despesas europeias, regressam primeiro à competição nacional:
V. GUIMARÃES- MARSELHA - Marselha;
LUDOGORETS-SP. BRAGA - Ludogorets;
FC PORTO-RB LEIPZIG - RB Leipzig
M. UNITED-BENFICA - M. United
SPORTING-JUVENTUS - Juventus

Surpreeendido(a)? Com efeito, não há nenhuma equipa portuguesa que reentre em campo este fim-de-semana antes do seu adversário europeu, mesmo aqueles que tiveram de se deslocar a Portugal, como foram os casos do Marselha, RB Leipzig e Juventus. Não sejamos ‘calimeros’!



JARDIM DAS ESTRELAS - Grande noite do Vitória

Algumas notas individuais resultantes da semana europeia:
PEDRO MARTINS (****) - Esteve muito bem o treinador do V. Guimarães na gestão técnico-táctica do jogo com o Marselha. Uma grande noite da equipa vimaranense!
MATHEUS (***) - O guarda-redes do Sp. Braga foi vital no jogo de coragem que os arsenalistas fizeram na Bulgária.
RÚBEN DIAS (****) - Se há alguma coisa que esteja a correr bem ao Benfica 2017-18 é a afirmação do jovem defesa central. Não tremeu em Old Trafford.
SAMARIS (***) - Fez o penálti de que resultou o 2-0 e mostrou, apesar disso, que poderia ser mais útil ao Benfica.
JONAS (***) - Uma grande solução que, às vezes, se torna num problema… táctico.
JORGE JESUS (****) - A forma como bloqueou e ‘cresceu’ sobre a ‘Juve’ na primeira parte mostra bem a sua apetência para atenuar limitações perante grandes equipas…
BATTAGLIA (****)- A reacção à perda (da) bola mostrada pelo Sporting, com o argentino em evidência, está na base do desgaste físico revelado pela equipa no segundo tempo.
SÉRGIO CONCEIÇÃO (****) - Está a tirar tudo do FC Porto, que voltou a ter ‘alma’. A impressão digital do treinador é inconfundível.


O CACTO - Marselha em Guimarães

O que se passou com Evra e os adeptos do Marselha, em Guimarães, foi muito grave. A sensação que se colhe é que já havia antecedentes entre franjas de adeptos marselheses e o internacional francês. A UEFA, certamente, não vai perdoar. Nem a Evra e ao seu movimento de kung-fu nem ao Marselha, face ao comportamento de alguns dos seus adeptos, que saltaram a vedação e invadiram a zona de acesso ao relvado.
Também o Benfica arrisca uma sanção pesada: em Old Trafford, apesar de todos os avisos, adeptos houve que utilizaram engenhos pirotécnicos e não custa a acreditar que a Luz possa ser interditada. Não deve ser difícil ao Benfica identificar os prevaricadores, ver se são sócios e expulsá-los dessa condição e ligação ao clube. Os próprios clubes têm de ser mais activos na promulgação da ‘tolerância zero’ e acabarem com os ‘paninhos quentes’. Não é… António Salvador?!

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