Pressão alta

Rui Santos
Rui Santos

Mendes ou Benfica -- quem lucra mais?

Já aqui falei do ‘governo’ do Benfica e dos seus ‘ministros’ e ‘secretários de Estado’, entre os quais – de forma naturalmente oficiosa – o empresário Jorge Mendes (JM) se constitui numa espécie de ministro dos Negócios Estrangeiros no executivo ‘encarnado’. O presidente Luís Filipe Vieira (LFV) já assumiu, em entrevista relativamente recente, que Mendes e a Gestifute fazem parte de uma parceria estratégica, e isso quer dizer que a relação não é apenas pontual ou episódica, tem substância e visa objectivos bem determinados.

A aquisição de Filipe Augusto pelo Benfica – mais um ‘produto Jorge Mendes’ – reabre a discussão sobre o alcance desta parceria estratégica e recoloca a questão essencial: quem lucra mais com essa relação muito estreita entre o presidente Vieira e o empresário Mendes – o Benfica ou a Gestifute?

É bom recordar que Jorge Mendes tem feito tudo para este seu ‘activo’ crie raízes nalgum clube por onde tem passado. Filipe Augusto foi uma aposta do empresário e do Rio Ave (com Nuno Espírito Santo) e, nos últimos 2/3 anos, tem andado a ser emprestado – primeiro foi o Valencia (outra vez com Nuno Espírito Santo) e depois o Sp. Braga, com o Rio Ave sempre na expectativa de poder encaixar algum dinheiro com uma futura venda, como faz parte do acordo que levou, agora, o jogador para o Benfica.

Nestes negócios, entre grandes clubes e grandes empresários, há sempre lógicas nem sempre claramente perceptíveis. Não raras vezes se consegue alcançar a sustentação de algumas apostas desportivas e elas podem servir de compensações ou alavancas de ou para outros negócios. Jorge Mendes acaba de ser protagonista de mais um encaixe significativo para o Benfica (e, naturalmente, para si próprio), ao conseguir colocar Gonçalo Guedes (GG) no PSG, e isso até serviu para uma coisa muito inusitada no futebol, que é juntar no mesmo momento e na mesma fotografia, em amena confraternização e celebração, neste caso em Paris, o presidente do clube vendedor (LFV), o jogador (GG), o empresário do jogador (JM) e os responsáveis do PSG. Não é muito normal, mas aconteceu, com a exteriorização de um grau de satisfação muito elevado…

Filipe Augusto é jovem (23 anos), tem um longo caminho à sua frente mas, entre muitas coisas a favor (boa capacidade técnica), há duas coisas que não podem deixar de lhe ser apontadas: primeiro, o facto de ainda não ter pegado em nenhum clube – Rio Ave, Valencia e Sp. Braga – desde que saiu do Brasil (Bahia) em 2012, e talvez por isso o seu actual valor de mercado não é muito alto (cerca de 800 mil euros); segundo: uma lesão do ligamento cruzado, que muitos apontam como uma das razões da sua ainda não afirmação.

Talvez Jorge Mendes tenha convencido Luís Filipe Vieira a apostar em Filipe Augusto para a posição que Renato Sanches deixou, primeiro, para André Horta e, agora, para Pizzi, que se acha neste momento muito sobrecarregado fisicamente e precisa, em certos jogos, de uma alternativa credível para conseguir gerir melhor a sua condição em benefício da equipa. É, pois, pacífico que o Benfica precisa de mais um ‘8’; é pacífico que, do ponto de vista financeiro, o Benfica tem boas hipóteses de não sair a perder, uma vez que, não obstante ter firmado com o jogador um contrato longo (até 2022), mas… mas…

Há, contudo, uma questão que pode ser menos pacífica: é que, se foi uma forma de ‘compensar’ Mendes pelas inúmeras operações que o empresário tem conseguido com jogadores ‘made in Seixal’ (Renato Sanches, Gonçalo Guedes, Bernardo Silva, André Gomes, João Cancelo, Ivan Cavaleiro, agora Hélder Costa e já com Nélson Semedo e Ederson a aquecer no ‘forno das transferências"), resta saber qual o rendimento desportivo que Filipe Augusto terá na Luz. E isso não deve ser nem despiciendo nem passível de ser aligeirado. O Benfica precisa mesmo de um ‘8’ e isso pressupõe que não seja ‘igual ao litro’ o jogador ficar ou não mais ou menos encostado. Desportivamente, o Benfica não pode correr esse risco.

Acresce que, estando correcta a estratégia (preparar as vendas), isso tem um lado que pode ser contraproducente: coloca a cabeça dos jogadores ‘a mil’. Não terá sido essa razão da quebra abrupta de rendimento do Benfica nestes últimos jogos?… ‘Tanto mercado’ para Ederson, Nélson Semedo, Lindelof, Luisão, Grimaldo, Samaris, Carrillo, Jonas, Cervi e Jiménez não contamina negativamente o balneário?!…

... E há um outro argumento decisivo: com tantas vendas, boas no plano teórico, se o Benfica não conseguir abater passivo – como é intenção e promessa do presidente – a pior coisa que pode acontecer a Vieira é despejarem-lhe em cima o anátema de que quem mais lucrou com estas operações não foi tanto o Benfica mas Jorge Mendes e a Gestifute. E isso é perigoso para a sua credibilidade.

* Texto escrito com a antiga ortografia

JARDIM DAS ESTRELAS (4 estrelas)

Podence -- a tentação...

Hoje, à noite, há clássico, no Dragão, e as expectativas são grandes, entre os adeptos de FC Porto e Sporting, mas também entre os do… Benfica. Um jogo importante para as contas do campeonato. O FC Porto pode apresentar um trunfo importante, na frente de ataque (Soares), libertando um pouco mais André Silva e a grande expectativa, do lado do Sporting, é saber se Jorge Jesus vai aproveitar a motivação extra de Podence – mais do que Geraldes –, recém-chegados do… "campeão de Inverno". Um jogo que ninguém está em posição de perder… O Sporting vai ao Dragão com Coates e Gelson ‘renovados’ e isso é bom para a (recuperada?) estabilidade leonina… JJ gosta de lançar jogadores que estejam plenamente identificados com as suas ideias, mas… Podence é, neste momento, uma tentação, se também estiver em condições de travar Maxi Pereira…

O CACTO

'Todos iguais'

Há diversas formas de verbalizar ou conter a indignação. Os erros de arbitragem, este ano, estão mais distribuídos. O Benfica tem refreado reacções públicas oficiais, mas já se percebeu – pelo discurso das ‘trombetas oficiosas’ e pelos sinais emitidos a partir da imprensa – que há uma certa preocupação/inquietação perante os últimos desempenhos das equipas de arbitragem. O denominador comum, como já aconteceu esta época, com FC Porto e Sporting, é que as respectivas ‘estruturas de comunicação" só contabilizam os decantados prejuízo e nunca os benefícios. E, nisso, são todos lamentavelmente… muito iguais. Para se ser diferente é preciso ter ‘estofo’, resistir à lengalenga fácil e reflectir sobre os erros próprios. Que são muitos.





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