Pressão alta

Rui Santos
Rui Santos

O efeito Judas na vida do Sporting

A decisão do Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa, na sequência da providência cautelar requerida pelo sócio n.º 1265, Manuel Cordeiro Ferreira, veio colocar alguma ordem sobre a confusão instalada no Sporting, mediante as reacções de Bruno de Carvalho em relação à legitimidade da acção da Mesa da Assembleia Geral presidida por Jaime Marta Soares e da Comissão de Fiscalização entretanto nomeada por este, que havia tomado a decisão de suspender preventivamente, com efeitos imediatos, o Conselho Directivo, constituído por Bruno de Carvalho, Carlos Vieira, Rui Caeiro, Alexandre Godinho, José Quintela, Luís Roque e Luís Gestas.
O requerimento de Manuel Cordeiro Ferreira pedia ao Tribunal a suspensão imediata das assembleias gerais convocadas pela Comissão Transitória da Mesa da Assembleia Geral, 'presidida' pela inefável Judas, para os próximos dias 17 (domingo) e 21 de Julho e solicitava que os requeridos (pessoa colectiva SCP, Elsa Judas, Bernardo Barros e Yasmin Nobre, da autodenominada Comissão Transitória) fossem advertidos de que incorreriam em crime de desobediência qualificada se infringissem os efeitos da providência cautelar.

O Tribunal esvazia, pois, a arrogância e a ilegitimidade do Conselho Directivo em nomear uma comissão transitória para 'substituir' a Mesa da Assembleia Geral do Sporting, ao arrepio de todas as normas consignadas nos estatutos do clube. Ainda anteontem ouvíamos a inefável Judas a defender que 'era o que faltava' que os estatutos fossem a 'lei suprema', tentando justificar - através da 'lei ordinária' e da 'Constituição da República' - o flagrante abuso da constituição da Comissão Transitória.

Quer dizer: a inefável Judas (não Jubas) salta de galho em galho para tentar justificar o injustificável. Todos os expedientes têm sido utilizados para se ignorar o essencial: Bruno de Carvalho e aqueles que ainda sustentam esta ignominiosa colagem a um poder tão frágil colocaram o Sporting numa situação grave e preocupante. O Sporting é hoje um clube ferido e fracturado porque Bruno de Carvalho o dividiu indecentemente. Não fez NADA para unir os sportinguistas. Fez tudo para estigmatizar adeptos e sócios. Lançou uma guerra interna e externa sem precedentes. O cúmulo dessa insensatez foi quando quis atingir os jogadores e o treinador.

Toda a gente percebe que a invasão à Academia - o momento mais triste da história do SCP - aconteceu na sequência de um clima de confronto insustentável. A invasão à Academia não aconteceu como um acto isolado e impossível de conter pelo clube e pela SAD. O fogo há muito que estava irresponsavelmente ateado. As claques vinham sendo estimuladas a ter um papel relevante na relação com a equipa. As pressões e as ameaças nunca foram nem criticadas nem travadas. A série de lamentáveis acontecimentos, com elementos das claques no terreno (nos estádios, nas garagens, nos aeroportos, na Academia), nunca foi objecto de uma declaração madura e responsável. Isso não pode ser esquecido.

Só agora, depois desta decisão do Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa, a AG destitutiva do dia 23 (próximo sábado) tem condições para ser realizada. Bruno de Carvalho foi obrigado a recuar e a anuir. A alternativa era manter-se na senda de arranjar argumentos e expedientes para alimentar a cegueira e esta loucura sem precedentes na vida de um clube de futebol, ignorando uma decisão judicial e arriscar-se a ser detido. É arriscado, todavia, na sequência da decisão do Tribunal, continuar a dizer que não reconhece Jaime Marta Soares como presidente da Mesa da Assembleia Geral, como é arriscado utilizar a tese, amplificada pela inefável Judas, segundo a qual a decisão judicial foi proferida sem audiência prévia dos requeridos, o que aconteceu porque essa audiência colocaria em risco o fim ou a eficácia da providência.

Os sócios do Sporting vão ter a palavra: ou insistem nesta visão destrutiva de valor ou criam condições para a afirmação de uma alternativa. Uma alternativa que, para bem do Sporting, não pode nem contemplar uma 'visão terrorista' nem uma visão excessivamente romântica, colada ao passado não muito distante do clube leonino: o Sporting precisa de um projecto verdadeiramente alternativo, de recuperação desportiva, financeira e reputacional. Pode levar anos? Pode. Mas é essencial para travar esta dinâmica de 'paçosdeferreirização', chamemos-lhe assim, em que Bruno de Carvalho, 'contra tudo e contra todos', colocou o Sporting. As rescisões vão ser todas revertidas? Pois. A Comissão Transitória também tinha sido constituída à luz dos estatutos… O efeito Judas na vida do Sporting tem de parar. Esta traição à ética, à reputação e à credibilidade já tem custos demasiado elevados. Para o Sporting e para a Liga portuguesa.


Cristiano Ronaldo, 3 - Espanha, 3.

Os grandes jogadores, os chamados futebolistas de elite, estão sempre mais perto de resolver os jogos. Não todos, mas muitos.

Ontem, Cristiano Ronaldo 'substitui' Portugal na sua dimensão colectiva. A equipa não conseguiu, em muitos momentos do jogo, ser forte no meio-campo, e isso resulta não apenas da qualidade individual e colectiva da selecção espanhola, muito fiel à sua matriz, mas também porque Portugal não preencheu o sector intermediário em número suficiente, nos seus movimentos de compensação, para poder rivalizar com o adversário -- nem conseguiu imprimir a intensidade suficiente no momento da recuperação da bola.

Cristiano Ronaldo esteve perfeito no drible para o penálti e na sua conversão; forçou o 'frango' de De Gea e foi brilhante no livre do qual resultou o terceiro golo e o empate.

Cristiano Ronaldo ascendeu, cedo, à condição de maior figura do Mundial e foi decisivo na obtenção da igualdade, quando tudo já parecia muito difícil para a Selecção portuguesa. Um bom resultado perante uma grande equipa.

Ficou a boa imagem de Espanha e ficou a certeza de que Portugal precisa de fazer alguns ajustamentos para continuar a merecer a 'estrelinha' que teve no jogo inaugural.

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