Pressão Alta

Rui Santos
Rui Santos

O peru [Carrillo] pode ir às galinhas?!

No meio de tantas mentiras, deturpações, manipulações e falsas declarações atribuídas a determinadas figuras do nosso futebol, frequentado por muita gente que faz os possíveis para colocar a modalidade num nível muito baixo - sem regras, sem valores, sem desportivismo e sem educação -, às vezes torna-se difícil distinguir o que é real do que é postiço, sobretudo agora que as redes sociais vieram combinar, no âmbito da comunicação, uma parte útil com uma parte absolutamente inútil e alarmantemente perigosa.

Quando consultava a imprensa de ontem deparou-se-me uma estória de leões, galinhas e perus.

Não queria acreditar. Por momentos, ainda pensei que poderia ser um equívoco ou uma metáfora usada com bom gosto. Depressa me desiludi. Não se tratava de um entre milhares de posts colocados no Facebook por um qualquer garoto ou de mais um perfil falso criado deliberadamente, como acontece amiúde, para lesionar a reputação de alguém. Não havia margem para engano. Eram mesmo publicações do presidente do Sporting na sua página pessoal, no Facebook. A asserção das galinhas e dos perus tinha a ver com uma dura reacção de um dirigente do Sindicato dos Jogadores do Peru. Bruno de Carvalho considerou que o citado presidente "está eufórico com a ida de Carrillo para o Benfica" e que se "compreende, porque finalmente o peru pode ir às galinhas"…

O peru pode ir às galinhas?!

As declarações de mau gosto produzidas pelo presidente do Sporting são mais do que muitas. Poderíamos estar perante um ciclo de adaptação a um cargo difícil num clube difícil (afinal, só agora se aproxima o cumprimento do terceiro ano no cargo), mas em vez de se detectar uma melhoria no sentido de um maior aconchego institucional, o que vemos? A insistência na capacidade de surpreender e chocar, o que vai produzindo cada vez menor impacto, porque o que se torna repetitivo acaba por se banalizar - e ninguém atribuir qualquer centelha de importância.

É uma questão de idiossincrasia mas é também uma questão de foco. Bruno de Carvalho acha que tem de ir a todas. Que tem de responder a tudo e a todos. Não me parece que essa seja a melhor postura. Mesmo para quem precisa de viver o Sporting durante 24 horas por dia, não é preciso explorar até ao limite a presença pública. Ao teclado ou através das mais diversas formas de comunicação. É um exagero, mesmo para quem tem a convicção de que o Sporting é um clube muito susceptível de ser atacado e prejudicado, por razões que têm a ver com a própria dimensão do mercado e os réditos que ele tem para distribuir…

A novela Carrillo ainda não acabou. Já conheceu demasiados episódios lamentáveis e nenhum dos protagonistas se deve sentir de consciência tranquila.

O presidente do Sporting entrou em Alvalade decidido a acabar com as perversões subjacentes às operações de transferências de jogadores, nomeadamente no âmbito das intermediações. Tem razão de fundo. Esse mundo é um mundo opaco e à conta dele as finanças dos clubes e das SAD estão exauridas e os comissionistas a viver à grande e à francesa.

Segundo é público, o empresário Elio Casareto recebe 2M€ do Benfica. É uma barbaridade, é quase um insulto para uma intermediação, e o futebol só vai resolver estes pornográficos mecanismos quando os clubes quiserem. E é estranho que não queiram. Casareto, contudo, convidou Bruno de Carvalho a explicar qual a forma que propunha para pagar a continuidade de Carrillo no Sporting e, ontem, a imprensa dava conta de parcelas suplementares, direitos de imagens e paraísos fiscais. Afinal onde está e quem defende a transparência? Esta é uma daquelas coisas que Bruno de Carvalho não devia deixar passar. À margem de estórias de galinhas, perus e outras 'capoeiras'.

A novela começou mal, pelo lado da gestão do Sporting, e nunca mais se endireitou. Houve um 'pecado original' que nunca foi reparado. Por mais engulhos que se queiram detectar no comportamento do jogador e dos representantes, há uma parte de responsabilidade que não pode deixar de ser assacada nem ao Sporting nem ao seu presidente.

O Benfica 'comprou' um jogador livre. Estava no seu direito. Como Sporting esteve no seu direito em garantir os serviços de Jorge Jesus. Cabe ao Benfica rentabilizar desportiva e financeiramente o avançado, e isso também não é certo. Ainda há muitas poeiras na engrenagem e a ver vamos se o Atlético Madrid não terá um papel em toda esta história.

NOTA - Organização, método, capacidade finalizadora impressionante e… Mitroglou e Jonas 'em grande'. O Benfica chega a um momento crucial da época num bom momento. Vêm aí FC Porto e Zenit - e esse vai ser um grande teste à capacidade do bicampeão nacional.

*Texto escrito com a antiga ortografia

JARDIM DAS ESTRELAS

Vítor Pereira - que gestão?

*

Depois da muita polémica que envolveu a arbitragem de Carlos Xistra no V. Guimarães-Benfica, classificada negativamente com a nota de 2,5, o árbitro de Castelo Branco esteve duas semanas parado e, depois, dirigiu um jogo da I Liga (Boavista-V. Setúbal, 4-0) e outro da II (Feirense-Farense, 1-0). Agora, o regresso de Xistra ao palco de um candidato (Sporting), o mesmo palco onde Cosme Machado protagonizou uma arbitragem infeliz e onde o ambiente ficou muito crispado. Nomear um árbitro que havia sido acusado de perdoar 2 grandes penalidades ao Benfica (em Guimarães) é um exercício de bom senso?… O que se entende por recuperar o estado anímico? O nomeador (Vítor Pereira) está a atravessar uma fase muito complicada e não se tem ajudado a si próprio. É o nível global baixo, são as desistências, as 'lesões', as entrevistas e as omissões… Muito mau mesmo.

O CACTO

Faz sentido tanta demora?

O rendimento de William Carvalho está longe daquilo que era esperado. A esse facto associa-se a lesão (fractura de stress da tíbia esquerda) contraída, segundo os leões, no Europeu de sub-21, em Junho, o que inviabilizou o médio do Sporting de realizar a pré-época e reaparecer em competição apenas no mês de Setembro. A verdade é que, após mais de quatro meses a competir (13 jogos completos num total de 21), o rendimento de William está muito longe do expectável, sobretudo debaixo da orientação de Jorge Jesus, um treinador (re)conhecido por conseguir optimizar ao máximo as qualidades dos atletas. Não causa estranheza por isso que se relacione o fraco rendimento com o atraso na revisão das condições contratuais, muito aquém do seu valor e potencial enquanto jogador. Faz sentido tanta demora?

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