Patinhos feios há muitos!...

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Ter de defrontar equipas alemãs era tudo o que o FC Porto e o Sporting dispensariam, depois da vitória sobre o Benfica e da recuperação da liderança no campeonato, respectivamente.

O dragão nem teve tempo de lamber as feridas nem de produzir a ideia, através desse resultado, que afinal está tudo bem nas suas hostes. Obviamente, não está e não é o resultado conseguido frente ao Benfica que vai alterar o imperativo de mudança no FC Porto. Pode levar o seu tempo, mas é inelutável e vai acontecer.

Ninguém consegue perceber como é que uma estrutura profissional como a da SAD, muito bem paga, benza-a Deus, não percebeu a tempo a necessidade de reforço do eixo central do sector defensivo.

O episódio com Maicon apenas veio denunciar essa lacuna.

Sem Maicon – emprestado, como corolário de uma atitude irreflectida e inimaginável no futebol profissional –, o FC Porto ficou com Marcano e Martins Indi. Por causa disso, teve de lançar no clássico, directamente, um jogador que não tinha nenhum lastro na primeira equipa, o nigeriano Chidozie. Que não estava inscrito na Liga Europa, o que motivou a adaptação de Layún a central e a utilização de Varela a… lateral-direito, porque Maxi Pereira se encontrava castigado pelo UEFA e Layún era necessário num lugar para onde não havia mais ninguém. A alternativa era fazer alinhar Rúben Neves naquela posição. Sem Maxi Pereira e sem Danilo, e também sem Maicon, o treinador José Peseiro foi obrigado a improvisar, perante uma equipa muito poderosa nos seus movimentos (contra) ofensivos. Numa conjuntura destas, o que se pode pedir a um treinador, quando vai defrontar uma equipa que sabe ser poderosa, segunda classificada do campeonato alemão e no âmbito de uma eliminatória a duas mãos? Que jogue cara na cara, com um onze que não está minimamente rotinado? Isso é que seria suicídio! O que Peseiro fez foi aquilo que qualquer treinador minimamente sensato faria no lugar dele: tentar controlar os danos o mais possível e, também, com o menor risco possível. Daí um FC Porto que se preocupou muito em defender, mesmo considerando que Marega, Aboubakar e Brahimi estavam lá para… espreitar a oportunidade. Aquilo que pôde aparentar falta de ambição foi apenas realismo. O FC Porto não foi vítima de Peseiro. Foi vítima de si próprio – como projecto global – e das suas contradições.

Se Peseiro não tinha alternativas, porque a piscina estava sem água (não se pode nadar numa piscina quando ela tem três ou quatro gotas de água), o caso do Sporting é um pouco diferente. Jorge Jesus tinha por onde escolher. Apenas não podia contar nem com Bruno César (lesionado) nem com Zeegelaar e Schelotto (não inscritos na UEFA). Subtraiu valor à equipa (Slimani e Adrien inicialmente no banco) porque entendeu que precisava desses jogadores mais frescos considerando o jogo de segunda-feira, com o Boavista. É uma opção. Uma opção sempre subjectiva e discutível – e cuja avaliação estará sempre dependente daquilo que o Sporting conseguir neste campeonato.

Não é por acaso que das 7 derrotas registadas pelo Sporting esta época (contra 8 do Benfica e 9 do FC Porto), só uma foi registada no campeonato. A este desempenho está associada uma questão mental e uma questão física. Como ex-treinador do Benfica e agora como treinador do Sporting, Jesus entende – daquilo que posso concluir das suas declarações, no passado e no presente – que os principais rivais do FC Porto só conseguirão reduzir a diferença para o clube do Dragão se se concentrarem, primeiro, na tarefa de (re)conquistarem o campeonato. Foi assim enquanto esteve na Luz e é assim, por muito maior dose de razão, em Alvalade, uma vez que o Sporting está muito mais atrasado na tarefa de recomeçar a reconquistar títulos.

Nessa base, segundo ele, é preciso concentrar todas as energias no campeonato e quem não perceber isto… não percebe mais nada. Há uma teoria mais leve, e porventura mais romântica, de que as equipas portuguesas podem competir, de gás aberto, em todas as competições. Poder podem, mas correm enormes riscos, principalmente quando os adversários são oriundos de Ligas em que o ritmo competitivo é muito mais elevado e exigente. Não tenho dúvidas, porém, de duas coisas: que neste aspecto tem de haver melhor preparação para as equipas portuguesas renderem mais, fisicamente, ao longo de toda a época; segundo, é muito perigoso quando se começa a revelar incómodo sobre divergências cuja temática envolve ‘patinhos’, mais ou menos feios. Haverá vontade de entender Jorge Jesus, em Alvalade?…

NOTA – É evidente que foi uma vantagem importante o Benfica jogar com um Zenit-não-rodado, embora concorde com Rui Vitória: fala-se de mais em poupanças no futebol português.

* Texto escrito com a antiga ortografia

JARDIM DAS ESTRELAS -- 4 estrelas

Jonas

- o que fazer?

Jonas tem sido um jogador fundamental para o Benfica. Já o era com Jorge Jesus e volta a sê-lo com Rui Vitória. Leva 23 golos marcados nesta Liga (mais 5 do que Slimani), 56 em 67 jogos no total, e esta semana foi o autor do golo do triunfo no (primeiro) jogo com o Zenit, que coloca o Benfica com aspirações a continuar na rota da Champions.

Por força desse destaque que tem tido no ataque do Benfica, fala-se agora de poder incorporar a Selecção brasileira (na qual só alinhou em amigáveis e não actua desde 2012) e do interesse manifestado pelo futebol chinês, o que coloca uma questão pertinente aos responsáveis encarnados: aproveitar até ao fim e ao máximo toda a influência do jogador no plano desportivo ou rentabilizá-lo financeiramente, uma vez que Jonas está quase a completar 32 anos e não haverá muito mais ocasiões para o vender por bom dinheiro?… O chamado ‘problema bom’, cuja solução deve ser muito bem ponderada.

O CACTO

Gutiérrez

ainda na praia?

Não duvido das qualidades de Téo Gutiérrez, o colombiano que, com alguma surpresa, em função do seu estatuto de jogador de Selecção, chegou a Alvalade para reforçar o Sporting, mas — em função do seu baixo rendimento — há algumas perguntas que estão sem resposta: há, ou não, um prémio de assinatura que está por liquidar? Montero foi ou não colocado no negócio da aquisição de Barcos porque não ficou satisfeito com o comportamento do compatriota, quando retardou o regresso a Portugal e publicou fotografias na praia?

Até agora, o Sporting não ganhou nada de significativo com a aposta em Teo Gutiérrez/Barcos, em detrimento de Montero e é importante perceber porquê. Gutierrez vai deixar ficar mal o seu treinador, que o defende, se não revelar outro grau de compromisso com a equipa. Está a fazer tudo para ser ‘patinho feio’.

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