Pilares da desgraça mantêm-se... intocáveis

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"Bater no fundo" é uma expressão dura. E mais dura se torna quando ela é proferida pelo presidente do FC Porto, Pinto da Costa, em relação ao que se passa no Dragão. A verdade é que, na entrevista ao Porto Canal, o líder portista falou de um "momento de crise" e, nesse particular, não tentou esconder o que está à vista de todos: o clube nortenho vive provavelmente um dos momentos mais difíceis da sua história, depois de muitos anos de sucesso. Nisso, Pinto da Costa foi claro e convincente: é preciso iniciar, desde já, um ciclo de retoma e, nesse sentido, não há outra forma senão dar uma ‘chicotada psicológica’ no grupo que tem à sua volta, no plano técnico-desportivo. O aviso foi claro, não apenas para os jogadores (têm seis jogos para demonstrarem que são dignos de representar o FC Porto no futuro) mas também para José Peseiro: ou ganhas e fazes parte do processo de retoma ou, se não o fizeres com um mínimo de sucesso, mando-te exactamente para o mesmo destino que já está reservado para os atletas que não revelarem carácter… ‘à Porto’.

Pinto da Costa, nesta entrevista, teve momentos em que fez lembrar o Pinto da Costa de há uns anos, determinado, firme, expressivo e eloquente. Tentou jogar e jogou, efectivamente, com a parte emocional dos adeptos, colocando-se entre eles – interessante… – para dizer que não se revê naquilo que está a acontecer no FC Porto, como se isso não fosse da sua primeira responsabilidade, mas pegou nessa parte do discurso, inflamando-o, para esconder ou passar ao lado daquilo que vem perturbando os portistas, em geral, e que tem a ver, nomeadamente, com explicações mais concretas sobre o universo de intermediações e comissões subjacentes às operações de transferências. Sobre o assunto fez considerações genéricas e nem uma palavra sobre o papel do filho, Alexandre Pinto da Costa.

Nessa tentativa de jogar com a parte emocional dos adeptos, quando tocou, ligeiramente, nas finanças da SAD, enfatizou o passivo do Benfica e o activo do FC Porto, nas rubricas e nos termos que, emocionalmente, lhe dava mais jeito, sem dar respostas à questão essencial: como é que o FC Porto, com anos a fio de sucesso desportivo, com presenças constantes na Champions e com inúmeras transferências alegadamente extraordinárias, não consegue resultados líquidos mais expressivos e não foge à ameaça do Fair Play Financeiro da UEFA? É óbvio que o FC Porto tem uma estrutura de custos excessiva e é óbvio que, nas operações de compra e venda, os custos de intermediação também são excessivos. E isso está por explicar.

Pinto da Costa tinha de falar, porque o ruído estava a tornar-se ensurdecedor e a derrota perante o Tondela e sob o testemunho da menor assistência no Dragão em jogos do campeonato – os adeptos não se revêem naquela tremenda ausência de futebol-espectáculo… – puseram a nu as insuficiências da equipa e da administração.

O presidente do FC Porto responde com um discurso e promessas de ‘revolução’. Conseguirá ele, mais uma vez, ser o fautor de mudança e devolver a esperança aos portistas, depois de confessar que apostou no treinador que não devia (Lopetegui), dando-lhe o poder que ele não justificou ser merecedor? Mas quem fez essa opção? Quem o obrigou a fazer essa opção? Foi a Nossa Senhora de Fátima ou os Três Pastorinhos? Não percebe Pinto da Costa que essa desqualificação pode ser interpretada, igualmente, por quem está à sua volta como uma fuga às responsabilidades e um sinal de que deixou de ser um presidente confiável? Pode José Peseiro (ou outro treinador qualquer) confiar num presidente que tem este discurso e comportamento? Deixou Pinto da Costa de fazer aquilo que fez noutros tempos, que era proteger até ao limite todos aqueles que colocou sob contrato? Acha Pinto da Costa que, tendo um plantel que não sente o clube ‘à Porto’ e formado maioritariamente por jogadores que, vindos de fora, querem dinheiro e prestígio, eles vão agora correr, no final do campeonato, porque o presidente assim o exigiu? Então já não exigira antes? Não estamos todos recordados que esse foi exactamente o mesmo discurso que utilizou quando contratou Lopetegui?!… Acha Pinto da Costa que os adeptos do FC Porto já estão todos muito contentes porque vai fazer regressar o Octávio, o Josué e o Rafa?!…

Acossado e encostado à parede, pelos próprios adeptos e opinião publicada portista, Pinto da Costa empreendeu a sua fuga para a frente. Porque no meio de tantas promessas de mudança… mantém o essencial – os chamados ‘pilares da desgraça’. Quando Pinto da Costa não toca na ‘estrutura’ que conduziu o FC Porto à situação actual — Fernando Gomes (na parte financeira), Adelino Caldeira (na jurídica) e Antero Henrique (no futebol) — como é que se pode pensar nalguma coisa senão em ganhar tempo?… Ganhar tempo para quê? O presidente do FC Porto falou mas o clube continua em perigo.

O CACTO -- Escândalo(s) à escolha

A decisão do CD da FPF, em relação à absolvição de Slimani, é um escândalo. Não há outra forma de o dizer e o que fica à mercê de todo o tipo de especulações é a razão pela qual, ao fim de quase cinco meses de impasse, não houve castigo. A fundamentação (no acórdão) é estapafúrdia. Quando se alega, para justificar a absolvição, que "não resulta que o jogador Samaris se sentisse ofendido no seu corpo ou saúde e muito menos resulta que o jogador Slimani tivesse como primeira intenção agredi-lo", ressaltam duas coisas:

1. Doravante os jogadores precisam de se treinar no capítulo da ofensa ao seu corpo ou saúde, para apresentarem sintomas de sofrimento;

2. Slimani "procurou pressionar o detentor da bola (Pizzi)" e o "jogador Samaris tentou obstar esse desiderato".

Só me ocorre uma expressão: RI-DÍ-CU-LO!

Foi clara a intenção de Slimani em atingir Samaris, e dizer que Slimani atingiu Samaris porque queria pressionar o portador da bola (Pizzi) é de uma imaginação sem precedentes. Parece-me, pois, que o que está em causa é a manifesta incomodidade na gestão deste processo, face à reacção do Sporting, que foi pronta (contrapondo com outros casos, também arquivados) e, como se vê, eficaz. Depois disto, tudo pode acontecer, de facto, no futebol português. Pior do que isto, só o triste espectáculo em redor das arbitragens em Portugal. (In)Digno de um país do Terceiro Mundo.

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