Pinto da Costa não pôde arriscar

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Pinto da Costa tardou, mas decidiu-se pelo afastamento de Julen Lopetegui do comando técnico do FC Porto. Era uma evidência que o técnico basco já não conseguia tirar nada do (valioso) plantel portista. Pinto da Costa nunca foi homem para abandonar os seus treinadores. Sempre os incentivou a continuar (vide caso Paulo Fonseca), mesmo em momentos de falência de resultados. É bom não esquecer que Julen Lopetegui foi uma solução achada entre Pinto da Costa e Jorge Mendes. Não foi uma solução qualquer. Não foi uma aposta concertada confortavelmente em cima do êxito. Foi uma solução (autoconsiderada) estruturante. Foi uma solução para gerar impacto na comunidade portista. Falou-se de revolução de mentalidades. O próprio Pinto da Costa revelou o propósito de acabar com um certo comodismo. A verdade é que a aposta falhou. E, friamente, não há forma de observar o falhanço de Lopetegui a não ser como, igualmente, o falhanço de Pinto da Costa e da SAD portista.

Poder-se-á dizer que a SAD do FC Porto e o seu presidente fizeram tudo para que Lopetegui tivesse êxito. Deram-lhe autonomia, invulgar ‘carta branca’, no início do processo, ao contrário do que vinha sendo regra no clube, e um conjunto de recursos invejável, gastando na primeira época muito acima dos seus principais adversários. Ainda estão por publicar e analisar, naturalmente, as contas de 2015-16 e se é indiscutível que o Sporting gastou muito mais (em relação ao seu passando recente) para tentar ser campeão nacional, o FC Porto não aliviou o investimento e o esforço realizado em 2014-15.

É evidente que Pinto da Costa e a SAD do FC Porto, a meio do contrato, perceberam que Julen Lopetegui já não era o treinador capaz de amortecer os efeitos de uma aposta de altíssimo risco, do ponto de vista financeiro. Pinto da Costa e a SAD sabem que o FC Porto não pode ficar terceira época consecutiva sem ganhar o campeonato. Esperar pelo fim da época, a ver o que entretanto dava a relação entre Lopetegui e os jogadores, seria um risco ainda maior. Não foi a derrota em Alvalade que fez disparar as campainhas de alarme. Foram os desaires, no Dragão (derrota e empate), frente ao Marítimo e Rio Ave. Mesmo com a confissão do técnico espanhol segundo a qual tinha força para continuar a lutar pelo título, os responsáveis portistas não quiseram esperar mais. A sentença foi clara: "o problema do FC Porto está no treinador!"

Esta sentença tem muito a ver, também, com as reacções do ‘universo portista’ em relação a Lopetegui. Já ninguém o tolerava. E os mais recentes sinais emitidos por certos sectores da ‘nação azul-e-branca’, segundo os quais alguma figuras gradas da família portista, como por exemplo, Vítor Baía e António Oliveira, poderem estar a espreitar uma oportunidade de se constituírem, formalmente, como alternativas ao ‘reinado de Pinto da Costa’, devem ter sido objecto de alguma reflexão interna — e do próprio líder portista.

É preciso extinguir o fogo, antes que ele passasse das calças de Lopetegui para as calças de Pinto da Costa.

Estamos a assistir a um momento particularmente novo e interessante da vida do Dragão. De repente, ainda com os cuidados inerentes às ‘respostas do regime’, percebe-se que há alternativas ao longo consulado de Pinto da Costa. A confissão de disponibilidade de Vítor Baía é relevante, como é relevante a posição de António Oliveira na estrutura accionista e, com ela mas sobretudo com todo o seu transversal background no ‘mundo da bola’ (jogador-treinador-dirigente), poder corporizar uma solução suficientemente mobilizadora.

Há ainda uma ‘terceira via’: André Villas-Boas. Que já havia ‘lançado’ no meu último artigo como ‘a’ solução. Não apenas no imediato (como treinador) mas também no futuro (eventualmente como a figura capaz de reunir consensos na construção de um FC Porto mais moderno). Em ‘jogada de antecipação’, e sem renegar a importância de Pinto da Costa na história do clube, não creio que o futuro do FC Porto possa ficar comprometido sem o líder portista. Algo está a mudar, mesmo que seja lentamente.

NOTA – Por falar em antecipação: também neste jornal, em artigo escrito no momento da contratação, escrevi que Bruno César ‘faz sentido no Sporting’. Estreia, no Bonfim: dois golos. Não esperava tanto, confesso.

JARDIM DAS ESTRELAS -- 5 estrelas

Vídeo-árbitro a chegar!

Não posso deixar de confessar o meu regozijo pela decisão da International Board em recomendar a introdução da tecnologia do vídeo no apoio ao trabalho das equipas de arbitragem, primeiro através de uma fase de testes e, depois, com aplicação nas diversas competições. É um momento histórico porque, não obstante a importância dos momentos de cidadania nesse sentido — e em Portugal tivemos a honra de poder protagonizar um, nos últimos oito anos —, nada seria possível sem a luz verde da International Board, que julgo acontecer na sequência da queda de Blatter e, sobretudo de Michel Platini, há muito responsáveis pela cristalização do conceito, eles que fizeram muito pouco pela aquisição de maior transparência por parte da indústria do Futebol.

O cacto -- Obcecados

Por mais razões que assistam aos treinadores do Sporting (Jorge Jesus, ex- Benfica) e Benfica (Rui Vitória, ex-V. Guimarães), nos processos que protagonizaram no último ano, não há nada que justifique a sinalização pública da falta de respeito que cada qual nutre um pelo outro. Jorge Jesus está convencido que Rui Vitória já estava em negociações quando ele próprio ainda era treinador do Benfica, e não lhe perdoa a alegada traição. Rui Vitória entende que é um legítimo treinador do Benfica e que não tem de reconhecer os méritos do trabalho do seu antecessor. Uma obsessão fatal e perigosa, para a qual muito têm contribuído o posicionamento dos dois presidentes:; Bruno de Carvalho (mais activo e mais às claras) e Luís Filipe Vieira (mais na sombra). Tudo muito lamentável.

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