Pressão alta

Rui Santos
Rui Santos

Plantel do Sporting ainda é curto?!…

…Este plantel do Sporting ainda é curto, afinal. para o ataque ao título de campeão nacional que foge há 15 épocas?

As notícias publicadas ontem na imprensa desportiva davam conta da vontade de Jorge Jesus em querer mais 5 reforços: um defesa central, um lateral esquerdo, um médio ofensivo, um extremo e um avançado.

A pretensão parece estranha, porque normalmente um número tão elevado de jogadores não se pede para Dezembro/Janeiro; pede-se para Julho/Agosto. Acontece, porém, que na época passada as contratações ou os empréstimos não deram a rentabilidade desejada: Douglas, Meli, Elias, Bruno Paulista, Markovic, Campbell, André, Castagnos, Spalvis e Barcos, nomeadamente, foram ‘flops’ indiscutíveis e não espantou que o Sporting — mesmo com o conhecimento de um treinador talhado para optimizar os recursos dos jogadores — tenha comprometido o ataque ao título.

Quer dizer: este permanente impulso de obras e manobras no futebol do Sporting, contrário a um regime desejável de estabilidade, não é por acaso. Foram muitos os jejuns e a forte vontade de comer não teve a acompanhá-la as condições necessárias e suficientes para um crescimento sustentado.

Acresce que o Sporting começou a fazer dinheiro ‘à séria’ com a venda de jogadores (João Mário, Slimani, Rúben Semedo e, mais recentemente, Adrien) e isso permitiu ao clube de Alvalade apostar em jogadores com superior valor de mercado, como foram os casos de Bas Dost e, depois, de Bruno Fernandes, Acuña e Doumbia. Ou pagando mais aos clubes vendedores ou apostando em atletas já mais rodados (como foram os casos de Mathieu e Coentrão), elevando a fasquia da massa salarial.

Tudo tem uma causa e tudo tem uma consequência.
Bruno de Carvalho começou por apostar em Jorge Jesus para para elevar o nível de capacidade de resposta do Sporting no plano competitivo e com as flutuações orçamentais conhecidas ainda não foi possível construir um plantel suficientemente homogéneo.

As chamadas ‘primeiras linhas’ foram reforçadas em qualidade — uma pretensão de Jorge Jesus, que queria ver combinadas, no espaço defensivo, ‘classe’, experiência e hábitos vencedores. O Sporting chegou a Mathieu e a Coentrão, dois jogadores com algumas condicionantes físicas e clínicas. Chegam se estiverem bem; Mathieu tem chegado mas está sempre sob vigilância e a situação de Coentrão vem envolvendo mais melindres - chega, não chega, pára, recupera, não joga o tempo todo, numa gestão física de montanha russa…

Só aqui temos a justificação para a ‘requisição’ de mais um central e um lateral esquerdo. É que o fosso qualitativo entre a dupla Coates-Mathieu e a dupla alternativa André Pinto-Tobias Figueiredo parece ser demasiado grande. O lado direito parece ‘razoável'. À esquerda, a diferença entre Coentrão (mesmo limitado) e Jonathan também é maior do que se chegou a supor.

Nas tais ‘primeiras linhas’, bem compostas, cabem Rui Patrício, Coates, Mathieu, Coentrão, William Carvalho, Battaglia, Bruno Fernandes, Gelson, Acuña, Bas Dost — o que significa que, em 11, o Sporting tem 10 jogadores mais ou menos indiscutíveis — mas também nestes casos, se é verdade que a qualidade global melhorou em relação às épocas anteriores, as alternativas têm alguns pontos de interrogação associados.

O Sporting, de facto, não tem extremos à altura de um Gelson ou de um Acuña; Iuri Medeiros não vem aproveitando as oportunidades que já teve para confirmar que poderia ser o ‘Gaitan do Sporting’, como já o havia, aqui, caracterizado e ficam dúvidas sobre o que pode fazer esta época. Bruno Fernandes parece ser a melhor alternativa para jogar atrás do ponta-de-lança (Bas Dost ou Doumbia), sendo que o holandês não evoluiu nem sequer está a garantir os níveis de rentabilidade da época passada e o costa-marfinense parece ter um problema de relação técnico-táctica com Bas Dost.

Alan Ruiz é um daqueles casos de muito prometer e pouco render. Bruno Fernandes e Acuña fizeram Podence perder espaço, embora possa ser útil, assim como Bruno César.

Jorge Jesus tem uma característica muito própria segundo a qual define o jogador que pretende (experiência + condição atlética são dois atributos indispensáveis, porque acredita muito na capacidade de passar conhecimento na área técnico-táctica), mas o momento da escolha difere do momento em que se começa a trabalhar com a matéria-prima contratada. Às vezes , o que parece… não é - e isso acontece mais quando estamos a falar em sérias condicionantes financeiras…

O treinador do Sporting já percebeu o quão sólido está o FC Porto. O plantel não é vasto mas tem qualidade uniforme. O FC Porto teve de se agarrar ao que já tinha e aproveitar aquilo que já parecia não possuir. Não me parece que o Sporting vá a tempo para maquilhar todas as lacunas e, por isso, precisa de ser cirúrgico e eficaz. A luta vai ser apertada e talvez seja assisado não descartar, já, o Benfica…


JARDIM DAS ESTRELAS - FCP - um líder "limpinho"…

Há um provérbio segundo o qual "a necessidade aguça o engenho". O FC Porto ainda está muito longe do seu objectivo primacial — voltar aos títulos — mas não pode deixar de se sentir parcialmente realizado com uma conquista recente: está em primeiro lugar da Liga, depois de ter visitado o Sporting em Alvalade, tendo demonstrado ideias claras e personalidade a rodos. A principal e única contratação (Vaná que tenha paciência…) do FCP, Sérgio Conceição, moldou a equipa e o plantel à sua imagem, tirou rendimento dos atletas e recuperou jogadores para o plantel, como foram os casos mais evidentes de Ricardo Pereira e Sérgio Oliveira, valorizando unidades como Marega, Aboubakar, Herrera e o próprio Brahimi. Um trabalho, para já, completo, de uma equipa que lidera o campeonato sem quaisquer favores (arbitragem). Um líder, limpinho, limpinho…


O CACTO - Não chegam as camisolas

O Benfica precisa de muita serenidade e passos seguros para não transformar esta temporada num falhanço. A conquista do ‘penta’ tem, para além do significado quantitativo, um alcance profundamente simbólico. Os jogos com o Manchester não ajudarão, em tese, para a recuperação anímica que a equipa precisa, mas em futebol nunca se sabe… Pode ser até o inverso… Uma equipa que perde 4 jogadores vitais e que não coloca no ’11’ nenhum dos substitutos só pode estar à espera de ‘milagres’… A confiança absurda no ‘piloto automático’ está a dar maus resultados… O Benfica reconquistou alguns poderes, mas as oposições e a contestação cresceram e as arbitragens estão muito mais escrutinadas. É preciso jogar mais. Muito mais…

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