Pressão alta

Rui Santos
Rui Santos

Presidente-postiço na destruição do Sporting

Um presidente que não conhece limites não pode ser presidente.

Um presidente que destrói a base de um negócio, que é a sua equipa profissional mais representativa, aquela que leva as pessoas ao Estádio, não pode ser presidente.

Um presidente que não percebe que os Estádios não se enchem se no relvado não estiverem jogadores prontos para iniciarem o espectáculo, não pode ser presidente.

Um presidente que, sem embargo de poder ter, internamente, uma perspectiva crítica e de acção pedagógica e até correctora de eventuais entorses e abusos, em vez de proteger o tesouro que constitui um plantel de um clube de futebol, porque é ele que, bem ou mal, está na base do funcionamento da roda, o critica, o desprestigia, o destrói na sua tão importante sustentação psicológica, não pode ser presidente.

Um presidente que não se importa de destruir o património humano, económico e institucional de um jogador com o passado e a história de Rui Patrício, não pode ser presidente.

Um presidente que coloca em causa a rentabilização dos principais activos da SAD - os jogadores —, no sentido de os negociar em alta, e, com isso, provocar um fenómeno de desvalorização, de desmotivação e até de repulsa dos próprios atletas, não pode ser presidente.

Um presidente que, especulativa e demagogicamente, eleva os sócios e adeptos ao estatuto de imprescindíveis para despromover a importância do centro do ‘core business’ não pode ser presidente.

Um presidente que faz todos os possíveis para desalojar Jorge Jesus da sua ‘cadeira de sonho’, colocando-lhe no caminho todo o tipo de ‘cascas de banana’ para ele escorregar (como já tinha feito com o antecessor de JJ) e, com isso, não lhe pagar aquilo que com ele contratualizou quando o foi buscar no intuito de fazer esquecer a ‘borrada’ que já havia feito com Marco Silva, não pode ser presidente.

Um presidente que perde a confiança da Assembleia Geral (Jaime Marta Soares, Eduarda Proença de Carvalho, Miguel de Castro, Luís Pereira, Tiago Abade) do Conselho Fiscal e Disciplinar (Nuno Silvério Marques, Vicente Caldeira Pires, Vítor Bizarro do Vale, Miguel Cansado Fernandes, Jorge Gaspar, João Carlos da Silva), de parte significativa do Conselho Directivo (Vicente Moura, António Rebelo, Luís Loureiro, Jorge Sanches, Rita Matos, Bruno Mascarenhas) e que não extrai nenhuma conclusão ‘política’ dessa perda de confiança, não pode ser presidente.
Um presidente que insiste em discriminar sportinguistas, dividindo-os e criando uma clara sectorização entre sportinguistas de primeira (os que estão incondicionalmente ao seu lado, como é o caso, neste momento, dos sobreviventes do Conselho Directivo, Carlos Vieira, Rui Caeiro, José Quintela, Alexandre Godinho, Luís Roque, Luís Gestas) e sportinguistas de segunda, não pode ser presidente.

Um presidente que é um produto das claques e que as adula, dando-lhes espaço, cobertura e um protagonismo excessivos, ao ponto de subverter os poderes e os utiliza para serem os ‘carrascos’ da equipa e treinador, ao ponto de levar outros apoios da equipa, como o director clínico (Frederico Varandas) e o preparador físico (Mário Monteiro), ao colapso profissional e emocional, não pode ser presidente.

Um presidente que, através do seu discurso permanentemente beligerante, interna e externamente, que desagrega em vez de agregar, que divide em vez de unir, que afasta em vez de atrair, e que não percebe nem aceita o papel das instituições, por maiores entorses que ache nelas, não pode ser presidente.

Um presidente que só acha méritos em si próprio não pode ser presidente.

Um presidente que não inspira confiança em ninguém, e que perde os apoios dos seus ‘indefectíveis", como Daniel Sampaio e Eduardo Barroso, tão intensos na defesa do ‘brunismo’, não pode ser presidente.

Um presidente que incentiva a Juve Leo e lhe retira o apoio; um presidente que vai teimosamente para o banco e que anuncia deixar de ir; um presidente que abusa pornograficamente do Facebook, que sai e entra, para voltar a sair e a entrar; um presidente que contrata um director-geral para tentar remendar o estrago que ele próprio causou; um presidente que promove um porta-voz para, num registo para já mais suave mas de óbvia propaganda, reduzir o dano das intervenções do inefável Saraiva, numa marcha-atrás escandalosamente postiça, não pode ser presidente.

Fica cada vez mais claro que Bruno de Carvalho não tem perfil de presidente. Tem mais perfil de líder de uma claque, no registo que algumas claques adoptaram em Portugal, muito mais próximas de serem um problema do que a solução para tornarem o espectáculo mais atractivo. Falta-lhe em sentido de responsabilidade aquilo que lhe sobra numa mórbida capacidade em negar evidências e em utilizar pessoas, manobrando-as, tudo em nome de objectivos pessoais, servindo-se do nome do Sporting e de um discurso direccionado à paixão clubística para enganar os que pensam com o coração e não são capazes de racionalizar e perceber quem atirou o Sporting para esta indigência, para este ‘estado de sítio’, para esta imagem de degradação e de caos. A arte da manipulação em todo o seu esplendor. Já não é o presidente-adepto. É o presidente-postiço.




JARDIM DAS ESTRELAS (4 estrelas) - Frederico Varandas faz (muito) sentido

A ‘crise do Sporting’ voltou a dominar a agenda desportiva/futebolística. Muitas têm sido as personalidades do ‘universo leonino’ a debitar posições e oposições. Nesse sentido, o Sporting é, também, um clube diferente. Muitos sportinguistas sempre prontos a debitar, num rodízio ao serviço das mais variadas plataformas televisivas. Houve mais do que tempo para — perfeitamente identificada a deriva de Bruno de Carvalho — a construção de uma solução alternativa forte. Nada de consistente. Discursos avulsos, putativos candidatos, e uma ideia de fragilidade que BdC explora até ao tutano. Enquanto a ‘nomenclatura’ do Sporting, agarrada ao poder, acha em Fernando Correia o porta-voz de mais uma farsa (mudança pontual de comportamento perante a opinião pública) e tanta capitalizar alguma ‘popularidade’ de Augusto Inácio, começam a aparecer algumas ‘lebres’ (Dionósio Castro) e outros protagonistas já algo desgastados no avança-não avança’, como é o caso de Rogério Alves. No meio destas movimentações, emerge um nome: Frederico Varandas. Com um discurso ‘limpo’, livre de amarras situacionistas, e com uma grande experiência do ‘terreno’. A seguir, com atenção.


O CACTO - Patético
Ver agora José Eduardo, que se quis colocar sempre na posição de pai ideológico de Bruno de Carvalho, mas que não passou de uma figura animada e manipulada pelo presidente dos ‘leões’, a tentar verbalizar uma espécie de manifesto anti-Bruno, mostra bem como as pessoas são capazes dos mais difíceis exercícios de contorcionismo intelectual. Não é uma questão de mudar de opinião; é uma questão de se defender o indefensável (como no caso Marco Silva). De resto, há um lado desta ‘crise do Sporting’ a mostrar muita falta de coerência; muita falta de vergonha — e muito oportunismo. Há uns pardalitos leoninos sempre preparados para saltar de galho em galho. Patético!

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