Pressão Anti-NUNO é maior no Dragão

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Foi há mais de três anos, antes do FC Porto entrar num ciclo de seca, que falei pela primeira vez em crise de regime, no Dragão.

O regime era o superpresidencialismo de Pinto da Costa, a centralização do poder de um homem que, num determinado momento da história do clube, muito alicerçado no espírito guerreiro e inconformado de José Maria Pedroto, conseguiu um misto de omnipresença e omnipotência nunca visto, antes, no futebol português.

Um tempo de domínio absoluto, internamente e com influência crescente externamente, ao ponto de os seus principais adversários terem passado anos a tentar copiar aquelas que eram consideradas as virtualidades desse regime. O Benfica e o Sporting, confusos com a afirmação do FC Porto, e também manipulados por ela, viveram momentos em que a sua maior preocupação era tentar descobrir o segredo da clonagem, a fórmula capaz de reduzir os efeitos do poder de Pinto da Costa e de um FC Porto assanhado, absolutamemte empenhado em não consentir, sequer, qualquer alternância.

O FC Porto consolidou-se e tornou-se, através de meios pouco democráticos, no clube português mais vencedor, nacional e internacionalmente, do pós-25 de Abril.

Se houve, antes do 25 de Abril, clubes associados ao regime político (Estado Novo), cuja discussão ainda vigora, se sim, se não, e se isso teve uma contrapartida em benefícios e em número de títulos, no pós-25 de Abril, e através do poder centralizado numa figura tutelar (Pinto da Costa) e em eleições muito pouco concorridas pelos sócios, o FC Porto impôs-se, até há bem pouco tempo.

A decadência do regime portista correspondeu ao crescimento da organização do Benfica. O Benfica é, hoje, o clube mais organizado do futebol em Portugal e está a tirar dividendos disso. À custa do seu amadurecimento estrutural mas também à custa dos erros do FC Porto e da exaustão do regime portista. É fácil de compreender que o poder de Pinto da Costa já não tem a mesma força e, principalmente, não produz os mesmos efeitos. Nem interna nem, sobretudo, externamente.

No período da pós-consolidação, sensivelmente na passagem para este novo milénio, o ‘FC Porto de Pinto da Costa’ manifestou alguns tiques de excesso de superioridade, de arrogância, até, que não raras vezes, genericamente, conduz a uma certa acomodação. Nesses períodos de ‘abundância’ é costume — e acontece não apenas no futebol — cometerem-se erros. O FC Porto criou uma dinâmica de compensação interna (via administração da SAD) e permitiu que o sector das transferências se tornasse numa apetecida central de negócios. Acontece com muitos clubes e aconteceu com o FC Porto, designadamente no momento em que pareceu boa política à FC Porto SAD atribuir percentagens relativas à partilha do valor resultante de alienações futuras de determinados passes de jogadores, para além dos custos inerentes a muitas operações de transferência. Um dia far-se-à o balanço da parceria estabelecida com a Doyen e contabilizar-se-ão os prejuízos e eventuais benefícios…

É neste enquadramento conjuntural, que também denuncia fragilidades estruturais, agudizadas com a saída de Antero Henrique e, antes dele, de Fernando Gomes, primeiro, e Angelino Ferreira, depois, denunciadoras de que algo vai mal — e não é de agora — que Nuno Espírito Santo foi contratado. Há, de facto, uma crise de regime, que ninguém quer reconhecer e muito menos Pinto da Costa, que não soube retirar-se a tempo, com a imagem mais ou menos imaculada (do ponto de vista da influência positiva que teve sobre o crescimento do clube), e agora vê-se na iminência de se agarrar ao ‘tesouro’ que construiu e que, neste momento, começa a valer muito pouco, em constante depreciação.

E é neste enquadramento conjuntural que Nuno Espírito Santo (NES) começa a estar cada vez mais sozinho, apesar de ter sido ele a impor a presença de João Pinto, uma vez que parece ter identificado a ausência de outro tipo de apoios, na periferia de Pinto da Costa. Começa a adensar-se a ideia de que, na ausência de Antero Henrique, a influência de Alexandre Pinto da Costa é cada vez mais notória, e isso pode apressar a queda de NES, se os próximos resultados falharem. Com efeito, com um plantel muito jovem, num quadro de pouca influência sobre o sector de arbitragem e num ambiente de fortíssima pressão financeira, com os jogadores a serem as primeiras vítimas dessa pressão, nada parece estar a favor de NES. Se não ganha ao Sp. Braga e se não se apura para os oitavos da Champions, o fim será inevitável, por força de uma pressão (interna) anti-Nuno…

JARDIM DAS ESTRELAS (4 estrelas) - Ramos colocou Benfica em stress

Daniel Ramos foi a sensação do jogo de ontem, porque se percebeu que pensou quase em tudo para não deixar jogar o campeão nacional. Contou com uma equipa super disciplinada e empenhada, que soube condicionar o adversário, contando também com uma arbitragem tolerante perante uma boa atitude competitiva, mas às vezes excessivamente agressiva. O Benfica sentiu-se desconfortável no jogo. Esse incómodo foi claramente incutido pelo treinador do Marítimo. Que mostrou ‘olhinhos’ e pode ter criado uma ‘fórmula Ramos’… para travar o líder: pressão alta e sobre o portador da bola, agressividade competitiva no campo todo, redução dos espaços de criação na zona central (Pizzi) e nos corredores e ainda… muita ‘malandrice’. O Benfica viu-se em stress e nunca se livrou dele.

O CACTO - Não haverá muitos culpados?

Na tragédia que vitimou grande parte da comitiva do Chapecoense houve apenas uma funcionária que questionou o facto do combustível declarado no plano de voo corresponder ao tempo estimado da viagem, sem qualquer margem de autonomia. Essa funcionária foi afastada, porquê? Pagar com a vida o preço de uma decisão irresponsável aparentemente tomada pelo piloto do avião que era também o dono da companhia (LaMia) e tinha um único aparelho a operar é duro e inaceitável. Este é mais um caso que configura muitas omissões. Não é caso, como parece, de um único culpado. Faz pensar. E esperemos que o sacrifício do Chapecoense e de muitos jornalistas sirva ao menos para todos percebermos que as decisões devem ser escrutinadas ao máximo. Que todos descansem em paz e tratemos dos que cá ficaram. Também com a nossa solidariedade colectiva. A tristeza é profunda.

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