Sapatos CR7: Negócios na Seleção?!

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Se, de repente, com calçado da marca CR7, os jogadores da Selecção Nacional começassem todos a jogar como o faz o nosso grande ‘capitão’, então Fernando Santos não precisaria de declarar as suas intenções de colocar Portugal no lugar mais alto do pódio, porque o título estaria no papo, isto se o calçado tivesse a capacidade de transformar os pés e o cérebro de todos os nossos rapazes.

Como essa garantia não existe, ou existe apenas em forma de fábula, consta que os nossos jogadores actuarão no ‘Europeu’ de acordo ‘apenas’ com as suas próprias faculdades. De resto, a parceria – segundo a informação que a FPF divulgou – não fala de equipamento desportivo; fala apenas de calçado (da ‘CR7 Footwear’) para ser utilizado quando os jogadores vestirem os fatos oficiais da Selecção Nacional.

Não há, pois, nesta parceria, qualquer vantagem desportiva. Trata-se de um mero negócio, cujos contornos ninguém conhece em detalhe. Nos ‘100 compromissos’ de Fernando Gomes para os próximos 4 anos, o presidente da FPF promete um conjunto de reformas (muito importantes) e fala de um mandato em que um dos pilares essenciais é a transparência.

Ninguém discute a importância e os talentos de Cristiano Ronaldo. Não estão em causa a sua prevalência na Selecção Nacional e o reconhecimento das suas capacidades. Isso é uma coisa, mas não pode… valer tudo. O ’estatuto’ e a relevância de um jogador não devem ser confundidos com os negócios de cada qual. Estamos a falar, no mínimo, de publicidade de uma marca e a Selecção Nacional, por tudo o que ela significa, deveria estar interdita a parcerias desta natureza. Já viram o que seria se, de repente, o Rui Patrício começasse a querer ‘vender’ bonés, o Renato Sanches ‘rastas’ e pacotes de cursos de cabeleireiro e o Quaresma lenços de seda ou relógios ‘RQ’?!

Bem sei que a FPF tem feito um trabalho ‘notável’ no sentido de não provocar a ‘ira dos media’, e que desse ponto de vista está confortável, mas a falta de atenção e rigor para estes e outros ‘pormaiores’ não pode deixar de afectar não apenas a imagem da FPF e da sua direcção (que tudo aceita e promove, inclusive crimes de fraude fiscal), mas também provocar alguma desconfiança perante as suas repetidas promessas de aposta na transparência. Podemos estar perante um engano e, em vez de ‘100 compromissos’, a FPF quereria dizer ‘SEM compromissos’, independentemente do processo de intenções que publicou em forma de documento?

Tirando mais este triste episódio revelador da ‘mentalidade tuga’ que tanto nos prejudica (por isso o futebol português está ao nível zero, em ética), passemos então — descalçando os sapatos — a que se espera da Selecção: moral em alta, depois dos 7-0 à Estónia, sinais de coesão no grupo, mas cuidado com o excesso de confiança, principalmente porque na fase inicial Portugal tem a obrigação de ‘despachar’ todos os seus adversários (Islândia, Áustria e Hungria), com maior ou menor dificuldade. Sabemos que, para a nossa Selecção, o ‘Europeu’ só começa verdadeiramente a partir dos ‘oitavos’ — e depois tudo pode acontecer… Mas convém começar bem e revelar, desde logo, a nossa capacidade, porque hesitar ou gerir em demasia pode suscitar dividas e interrogações, e isso seria negativo para a segunda e derradeira fase da competição.

Fernando Santos tem os ‘dados todos’ sobre as condições técnicas, físicas e psicológicas de todos os seleccionados, há detalhes que podem fazer a diferença, mas entre Vieirinha e Cédric, parece-me que Vieirinha leva pequeníssima vantagem; entre Eliseu e Guerreiro, optaria pelo mais jovem; entre Danilo e William, o médio do FC Porto apresenta-se um pouco mais consistente; entre Moutinho e Renato Sanches, estou convicto de que o seleccionador vai optar pela experiência em detrimento da pujança física e da ‘frescura’; e entre Quaresma e Nani na frente, creio que este último jogo terá colocado Quaresma na dianteira, embora defenda que os três (Quaresma, CR e Nani) poderiam ter lugar no ‘onze’. Assim: Patrício; Vieirinha, R. Carvalho, Pepe e R. Guerreiro; Danilo; João Mário, R. Sanches e Nani; Quaresma e Ronaldo.

Este seria para mim o ‘onze ideal’, mas acredito que Fernando Santos vai colocar Moutinho no lugar de Renato Sanches e provavelmente André Gomes no lugar de Nani, para dar mais consistência ao ‘miolo’. Contudo, pergunto: se queremos afirmar a nossa supremacia e ambição, e num jogo com a Islândia, não seria aconselhável colocar Nani entre os titulares?

* Texto escrito com a antiga ortografia sobre as condições técnicas, físicas e psicológicas de todos os seleccionados, há detalhes que podem fazer a diferença, mas entre Vieirinha e Cédric, parece-me que Vieirinha leva pequeníssima vantagem; entre Eliseu e Guerreiro, optaria pelo mais jovem; entre Danilo e William, o médio do FC Porto apresenta-se um pouco mais consistente; entre Moutinho e Renato Sanches, estou convicto de que o seleccionador vai optar pela experiência em detrimento da pujança física e da ‘frescura’; e entre Quaresma e Nani na frente, creio que este último jogo terá colocado Quaresma na dianteira, embora defenda que os três (Quaresma, CR e Nani) poderiam ter lugar no ‘onze’. Assim: Patrício; Vieirinha, R. Carvalho, Pepe e R. Guerreiro; Danilo; João Mário, R. Sanches e Nani; Quaresma e Ronaldo.

Este seria para mim o ‘onze ideal’, mas acredito que Fernando Santos vai colocar Moutinho no lugar de Renato Sanches e provavelmente André Gomes no lugar de Nani, para dar mais consistência ao ‘miolo’. Contudo, pergunto: se queremos afirmar a nossa supremacia e ambição, e num jogo com a Islândia, não seria aconselhável colocar Nani entre os titulares?

* Texto escrito com a antiga ortografia

JARDIM DAS ESTRELAS

Quaresma + 10 (****)

Como sublinho no texto ao lado, creio que, na primeira fase do Europeu, em jogos perante os quais Portugal tem de pensar em atacar (mais do que em defender), Fernando Santos (FS) pode perfeitamente fazer coexistir Quaresma e Nani no ‘onze’ frente à Islândia e, para isso, teria de prescindir de André Gomes. O seleccionador nacional não é muito de arriscar e, por isso, não me parece que isso seja provável. Contudo, já antes do Portugal-Estónia tínhamos sublinhado haver mais Quaresma do que Nani e, depois deste jogo, não ficaram dúvidas de que, neste momento, a formula é… "Quaresma + 10’. Do mesmo modo, defendo que Renato Sanches está melhor do que Moutinho, mas, pelos sinais, é quase impossível que FS opte por Sanches… Que não tenha de acontecer como em 2004 (com Scolari) para se ver o óbvio…

O CACTO

Sanções TV (*****)

Ninguém pode desvalorizar a importância das televisões no que respeita ao debate público das ‘coisas e loisas’ do futebol cá do burgo. Longe vai o tempo em que as discussões, mais sadias, eram entre adeptos ‘qualificados’. Os clubes, não satisfeitos com as ferramentas de comunicação próprias, quiseram estender influências a um nível mais geral e a verdade é que, hoje, fazem passar as suas mensagens, quase todas virulentas, à custa do desempenho de figuras de algum modo relacionadas, oficialmente, com os emblemas que representam. Um ‘vice’ ou um director, sejam de futebol ou de comunicação, não deixam os cargos à porta dos estúdios e, nesse sentido, devem ser responsabilizados pelo que dizem. Não é questão de maior ou menor liberdade de expressão. É questão regulamentar. Podemos discordar, mas se o futebol pune os actores que coloquem em causa a integridade a honorabilidade das competições e os seus agentes, a regra tem de ser para todos.

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