SOS Marcelo - o Presidente... dança?

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çEste final de temporada tem sido um fartote de acusações, insinuações, suspeições e mais uns tantos ‘ões’ da indignidade que povoa e intoxica o ambiente do futebol português.

Em todos os finais de época tem sido invariavelmente assim, porque não há um pingo de classe no dirigismo desportivo nacional, mas este ano o ambiente degradou-se, porque se mantiveram as características dominantes do tecido futebolístico nacional e, sobre elas, aumentou a… poluição sonora.

Este ano, a forma como Jorge Jesus saiu do Benfica e entrou no Sporting colocou a Segunda Circular num estád(i)o de nervos, o que fez atirar para a lama do debate público os gladiadores das visões oficiais (embora dissimuladas) dos responsáveis da Luz e de Alvalade.

O que se assistiu e se tem assistido já nada tem a ver com rivalidade. É mais… boçalidade.

As causas desta situação, que deveria provocar vergonha entre os protagonistas e seus promotores e gera indiferença, acham-se na forma como os presidentes dos clubes e seus sequazes utilizam a força social dos emblemas que lideram e representam.

Em vez de – pelos actos e pelas palavras — fazerem propostas no sentido de transformar o futebol português numa indústria credível, tentando eliminar ou mitigar as contradições e os atropelos aos regulamentos e à Verdade Desportiva, fazem precisamente o contrário: colocam-se em posição de negação permanente, não assumindo responsabilidades próprias em quase nada, e nesse exercício pouco sério recrutam para o seu exército um conjunto de altifalantes que amplificam, no espaço público, as dores e os pensamentos dos seus generais.

Vale tudo: criação e invenção de factos, insultos e um gosto duvidoso de comicidade e teatralidade televisivas. Tudo isto começa também na concessão que as televisões fazem em aceitar protagonistas que têm relações – mais directas do que indirectas – com os órgãos sociais dos respectivos clubes. Não é bom, não cria qualquer vantagem – a não ser no terreno de um certo circo de pantalha – e os ‘grandes’ sentem-se ‘enormes’. A perversão do poder e o sentimento que a dinâmica de captura e de bestialização do futebol têm o seu grau de eficácia.

O futebol em Portugal está desregulado e a verdade é que ninguém parece reunir condições para travar esta onda ‘terrorista’.

O presidente da FPF, Fernando Gomes, tem uma visão conservadora e, na verdade, só com visões conservadoras se pode ambicionar a cargos como aquele que Gomes ocupa neste momento. O rei vai nu e a figura máxima do futebol em Portugal não diz nem uma palavra. Sabe que só assim fica protegido. Percebe-se, mas é redutor.

O presidente da Liga, Pedro Proença, não é o homem certo no lugar certo, porque deveria estar a reformar todo o sector da arbitragem em Portugal e a sensibilizar a FIFA e a UEFA para as reformas que são necessárias introduzir no sistema, a nível internacional, fazendo lobbying no sector, e está a desgastar-se numa função que não é a mais apropriada. Não tem força de líder, porque essa força é dada pelos clubes — e os clubes grandes, nas suas jogadas de bastidores, de apoio e desapoio, cada vez mais efémeras, condicionam tudo e não consentem o livre exercício de liderar.

O poder político é fraco, basta olhar e analisar o papel do desporto nos diversos governos (mais à esquerda ou mais à direita… é igual), porque em Portugal os partidos não querem quezílias com o futebol e os políticos estão cada vez mais interessados em explorar aquilo que os clubes desportivos, em termos de visibilidade pública, lhes podem dar.

Tudo muito pobre, como se vê.

Neste contexto, é óbvio que falta uma ‘figura tutelar’ — não formal — ao futebol português e não vejo ninguém que possa exercer alguma e melhor influência — não formal — sobre o sector do que o actual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Porque gosta de futebol. Porque entende como poucos as dinâmicas de comunicação e porque o futebol precisa daquilo em que Marcelo se tornou: num fazedor de afectos.

Portugal é um país que teve a capacidade de exportar um dos melhores jogadores do Mundo e um dos melhores treinadores do Mundo, Cristiano Ronaldo e José Mourinho. Tem a capacidade de exportar outros talentos. Não é tempo de projectar, dentro do país, uma ideia de maioridade e maturidade, ao nível do dirigismo desportivo?

Meu caro Marcelo Rebelo de Sousa: se é solicitado para ser mediador da paz em Moçambique; se é notório que tem conseguido alhear-se de uma certa partidarite nas suas relações entre governo e oposição em Portugal; se é capaz de se aproximar das pessoas como o tem feito, natural e genialmente, nestes seus primeiros tempos de mandato; se é capaz de dar um passinho de dança nos locais mais improváveis, estou certo que pode fazer alguma pedagogia no futebol. Isto chegou a um ponto insustentável e fechar os olhos é contribuir para que um dia destes aconteça uma desgraça.

É caso para perguntar: o Presidente dança?!… O país agradece.

‘Leicester português’ não é possível

A proeza do Leicester ao tornar-se campeão inglês lança o debate sobre a relação que (não) se estabelece entre o grau de investimento e o rendimento desportivo.

Um clube modesto com uma equipa humilde, sem estrelas e sem percurso histórico vencedor, pode causar surpresa, aqui e ali. Em cada jogo, há sempre três resultados em aberto: vitória, empate ou derrota. Sabe-se, porém, que a capacidade de ganhar um campeonato exige muito mais e não pode ser obra do acaso, sobretudo se estivermos a falar do campeonato inglês, onde existe investimento, qualidade, competitividade.

O Leicester é um ‘case study’ e obriga-nos à conclusão de que a indústria do futebol gasta imenso dinheiro — em várias latitudes — na construção de um campeão. O desperdício é grande e a capacidade de inflacionamento é brutal e até imoral.

O Leicester, em Inglaterra, foi possível porque as fundações sobre as quais se ergue o edifício do futebol profissional inglês apelam à competitividade e ao futebol dentro das quatro linhas. É um grande exemplo, à escala mundial. Em Portugal, apenas e só pelo jogo e pela capacidade competitiva, este fenómeno não era exequível. A protecção aos ‘grandes’ é impressionante. As pressões que são feitas sobre a arbitragem e o grau de eficácia que produzem são muito desanimadoras para quem trabalha num clube médio ou mais pequeno.

Muita coisa teria de mudar em Portugal para, nos tempos de hoje, haver um ‘Leicester português’. Infelizmente.

Manchester City... nada joga!!!

Se o Leicester é um grande exemplo para o futebol mundial, o Manchester City coloca-se no pólo oposto: gasta imenso, compra craques sem identidade nem espírito competitivo e… nada joga. Um bluff!

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