Sporting - muita parra e... pouca uva

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Os anos em que o Sporting se atrasou na conquista pelo título máximo nacional recomendariam, no momento da quebra da ‘linha de continuidade’, um Sporting virado, primeiro, para a sua realidade interna e, portanto, para a recuperação financeira alicerçada num ideário desportivo compatível com aquilo que são as suas possibilidades e só depois virado para o combate aos miasmas da realidade externa.

Bruno de Carvalho não entendeu assim, muito por força do seu espírito inquieto (ai o ADN) e decidiu, a uma velocidade vertiginosa – mais susceptível ao erro – ‘atacar’ a realidade interna e a realidade externa, com as garras (de leão) bem espetadas. Tudo ao mesmo tempo. A força social que o Sporting adquiriu ao longo dos tempos é, hoje, o produto da sua história. O lado bom mas também o lado mau. É legítimo que Bruno de Carvalho queira ver o Sporting agir e reagir como ‘clube grande’, mas a verdade nua e crua é que o Sporting deixou há muitas décadas de ser um clube hegemónico, no futebol. Ele sabe que a conquista do título constitui, após tão longo jejum, a alavanca da sua afirmação como presidente. Por isso, aproveitou a oportunidade de o Benfica ter largado Jorge Jesus e matou dois coelhos com uma cajadada: abortou a contestação (que já se ouvia) em redor da forma como geriu o ‘processo Marco Silva’ e contratou o treinador que, em menos tempo, consegue optimizar o rendimento dos jogadores…

A opção quase produziu efeitos na primeira época de JJ no Sporting: uma equipa a jogar bom futebol e a confirmar a tese de que o treinador é capaz de valorizar e muito os activos, pelo que o dinheiro envolvido na sua contratação – muito acima da média – seria compensado pela valorização conseguida entre os jogadores. O Europeu foi a cereja no topo do bolo, mas o trabalho estava feito. O resultado não foi melhor (podia ter dado para o título) se o Sporting não tivesse enveredado por uma política de comunicação suicida, que só ajudou a unir o Benfica. Por isso, defendo a ideia de que o Benfica deve muito o tricampeonato a si próprio e à estratégia de comunicação do Sporting.

O (alto) rendimento dos jogadores leoninos teve como consequência a manifestação de interesse de outros clubes. Foi assim que apareceram as propostas de contratação de João Mário, Slimani, Adrien e outras. O Sporting, por mais que queira perseguir o objectivo dos títulos como algo essencial e determinante no seu crescimento, numa lógica de aumento de custos e perante a pressão da banca e da UEFA (através do fair play financeiro), não pode fingir que o mercado não existe. Por isso, o problema não esteve na venda de Slimani e João Mário, e na saída de Teo Gutiérrez, mas na aquisição dos jogadores que iriam, supostamente, fortalecer o plantel. Em dois meses, foram muitas as aquisições e poucas as que acrescentaram valor. Talvez Jorge Jesus precise de mais tempo para alcançar esse objectivo, mas as competições não param. E a perda de Adrien, por lesão, foi o motivo mais próximo através do qual a ‘máquina’ começou a engasgar. Sem Slimani, João Mário, Teo Gutiérrez e ‘sem’ Adrien e William Carvalho (que quebra de rendimento!!!) e com os laterais a carburar menos em relação à última época, o Sporting deixara de poder contar com a espinha dorsal do conjunto que quase conseguira chegar ao título. Em compensação, apenas Bas Dost (mas com características diferentes das de Slimani) e um ‘cheirinho’, pouco, de Markovic. Nem Petrovic, nem Elias, nem Melli, nem Alan Ruiz, nem Campbell, nem André, nem Castaignos (acredito que este possa aparecer mais…) mostraram algo de verdadeiramente interessante. Gelson, Gelson, Gelson. Qual é a equipa que não se ressente de uma situação destas? O problema do Sporting, no plano desportivo, está nas aquisições.

Foi neste quadro, difícil, que o Sporting jogou em Dortmund. E que fez Jorge Jesus? Algo que abomina, como princípio: mexer no seu modelo de jogo, actuando com três centrais, mesmo sem Aubameyang do outro lado. Uma forma de tentar minorar o impacto de um futebol rápido e perigoso do Borussia. Não chegou (não se podem perder oportunidades de golo como aquelas que o Sporting criou), mas os leões fizeram um ‘bom jogo’. Em atitude e tacticamente. Faltou, talvez, com a entrada de Adrien, manter B. César (à esquerda) e tirar B. Ruiz e faltou prescindir de um dos três centrais ou, não o fazendo, colocar um deles na zona do ponta-de-lança, no período final do tudo ou nada.

Em conclusão: o Sporting está a querer fazer tudo depressa de mais e isso pode fazê-lo tropeçar em si próprio. O problema é que o presidente não tem forma de desacelerar. Vêm aí as eleições e esse é outra capítulo da estória.

JARDIM DAS ESTRELAS (3 estrelas)

Sem Fejsa...

Se Fejsa pudesse jogar no Dragão, apostaria na vitória do Benfica no clássico. É verdade que Rui Vitória tem arranjado soluções para todas as ausências forçadas e isso é um ponto a favor. Contudo, Fejsa adquiriu no onze do Benfica uma importância vital. Ele é a trave mestra, ele é o pilar que sustenta o edifício vermelho. Não se trata de não reconhecer valor a Samaris ou André Almeida, mas são jogadores diferentes. E se Nuno Espírito Santo (NES) for astuto, dará ordens à sua equipa para pressionar o trinco e… Luisão. Não sei se, nestas condições, o Benfica conseguirá manter o equilíbrio exibido até agora, uma das suas principais valências reveladas esta época – e esse é um dos atractivos do clássico de amanhã. O FC Porto precisa de ganhar, o Benfica de não perder, não vejo Rui Vitória a mexer no onze-base (a não ser a provável entrada de Samaris) e não vejo NES a reconhecer que o FC Porto fica mais forte com Corona, Layún (no lugar de Herrera), Otávio e Diogo Jota e, portanto, sem Óliver e Herrera. Demasiado arrojado?!…

O CACTO

... E é isto!

Vão 235 sócios à AG do FC Porto: 159 votaram a favor das contas do clube (2015-16), 56 abstiveram-se e 20 votaram contra. Os resultados consolidados apresentam um valor negativo de 50,4 M€, "as contas não são as que gostaríamos de apresentar" (Fernando Gomes dixit), Pinto da Costa renova a confiança ("ilimitada") no seu ‘ministro das finanças’ e chama ‘covarde’ a Angelino Ferreira, por ter falhado a presença na AG, depois das críticas que fez ao momento do FC Porto, em entrevista ao ‘Expresso’. E é isto… Poucos (apesar de tudo) aprovam o ‘inaprovável’, as críticas são rechaçadas e… siga a banda!

* Textos escritos com a antiga ortografia

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