Um dos Europeus mais fracos de sempre?

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A FIFA e a UEFA têm a responsabilidade de manter o ‘circo’ dos ‘Mundiais e dos Europeus em actividade, porque são decisivos motores das receitas do futebol, arrastando tudo o que lhes diga respeito, e a sua existência é o suficiente para manter vivo o modelo. São as escolhas dos locais das fases finais, são os envolvimentos da classe política mundial e, com os estádios e os cofres cheios (as despesas e a capacidade de ‘comer’ as receitas são ‘outro campeonato’…), o ‘circo’ está montado e, com ele, não tem havido grande preocupação para se olhar para o jogo propriamente dito e para a qualidade do futebol praticado ou, melhor dizendo, para a falta dela.

Espero poder enganar-me, mas desconfio que este pode ser um dos mais fracos Europeus de sempre. A minha convicção assenta no facto de a UEFA ter começado por aligeirar a fase de qualificação, construindo um modelo de apuramento bastante facilitador para as selecções e para os países potencialmente mais fortes. É evidente que as seleções mais fortes, cujos jogadores estão envolvidos em competições internas e externas ao serviço dos clubes que lhes pagam os salários e os maiores prémios, pressentem que não têm de fazer um grande esforço para alcançar objectivos e é por isso que os encontros da fase preliminar perderam o interesse que já tiveram. Mesmo assim – primeiro mau sinal – a Holanda não se conseguiu qualificar, caindo aos pés da Rep. Checa, Islândia e Turquia…

Este Europeu, a realizar em França, marcado pelo clima de insegurança e pela ameaça de terror, não reconhece à partida uma selecção que, pelo seu futebol maior, se distinga, claramente, entre todas aquelas que disputam a fase final. Há a Alemanha e a Espanha, claro, e há a França, que pode beneficiar muito de jogar em ‘casa’ e haver, à volta dela, pelas razões que se conhecem, um reforçado sentimento de nacionalismo e de orgulho ferido.

Neste enquadramento, são ligeiramente mais fortes as possibilidades de surgir um ‘outsider’ ou um não-favorito, como é o caso de Portugal... Mas estará Portugal preparado para vencer as suas próprias debilidades e fantasmas?

A Seleção Nacional joga com uma equipa fraca, a Noruega, e ganha, não jogando bem. A Selecção Nacional joga com uma equipa mais forte, a Inglaterra, e perde, por culpa própria. Os sinais dizem-nos que, sem Cristiano Ronaldo, Portugal é uma equipa ‘jeitosa’, capaz do melhor e do pior, como tem sido ao longo dos tempos, quando tem ou não nas suas fileiras jogadores de maior prevalência individual, como já aconteceu com Chalana, Futre e Figo, entre outras ‘estrelas’ maiores, para não recuar muito no tempo.

Os jogos de preparação nunca dizem tudo, também estes à porta de grandes competições, nos quais os jogadores têm, naturalmente, grande preocupação de não se lesionarem. Portanto, a Inglaterra que vimos foi uma Inglaterra com média intensidade, como o Portugal que vimos foi um Portugal ‘sem ataque’, não apenas porque Cristiano Ronaldo ainda está de mini-férias, mas também porque Bruno Alves quis assim.

Deu para perceber o que Portugal pode fazer, se for obrigado a defender um resultado. As conclusões foram dúbias. Boa concentração de recursos no meio-campo, com bom preenchimento dos espaços, em cuja dinâmica os médios-ala deram conta do recado, mas alguma falta de segurança nas linhas mais recuadas, como foi o caso do lance em que os ingleses chegaram à vitória. Provavelmente, Portugal – mesmo sem Cristiano Ronaldo – teria conseguido um bom resultado frente a Inglaterra, não fora o destempero de Bruno Alves, muito mal na abordagem ao lance que lhe valeu a expulsão (justa), em todo o caso mais um exemplo típico daquilo que é o currículo das nossas Selecções Nacionais: quando o adversário não consegue ser superior, somos nós que lhe oferecemos a superioridade. Tem sido assim em muitas ocasiões e, por um lado, ainda bem que isto aconteceu antes do Euro e não durante o Euro, porque, avisados, as possibilidades de uma situação destas voltar a ocorrer, proximamente, são em tese bem menores.

Portugal vai para este Europeu com uma base sólida, mas em todo o caso ainda excessivamente dependente daquilo que Cristiano Ronaldo consiga fazer. Os centrocampistas são capazes de assegurar um bom nível de competitividade (Renato Sanches mostrou que pode dar mais… alguma coisa), mas é preciso fazer a diferença nos últimos 30 metros — e aí, se não for Cristiano Ronaldo, Quaresma parece estar um pouco melhor do que Nani… Veja-se que até a tentativa de ‘exploração’ do futebol (diferente) de Rafa, Bruno Alves conseguiu anular…

Uma nota final para dizer que, anteontem, no Wembley, Fernando Santos terá jogado com o onze que pensaria utilizar no arranque do Euro. Colocando Cristiano Ronaldo e Pepe no onze, parecia claro que Rafa e um dos centrais seriam os preteridos, mas agora parece mais claro que Bruno Alves possa ter perdido a titularidade…

* Texto escrito com a antiga ortografia

Jardim das estrelas (3 estrelas) -- Vídeo-árbitro e os 'caracóis'

O primeiro teste com video-árbitro no futebol português, em competições oficiais, vai ser realizado na Supertaça, a 7 de Agosto, no jogo entre Benfica e Sp. Braga, em regime de offline. Seguem-se-lhe experiências na Taça de Portugal (a partir dos quartos-de-final) e Taça da Liga (fase final), mas ainda não no campeonato. É uma boa notícia, na sequência da ‘abertura’ manifestada por Fernando Gomes (FPF) e Pedro Proença (Liga), depois da luz verde dada pela International Board para a efectivação dos testes, mas por aqui se vê a morosidade e as dificuldades de implementação de medidas reformadoras em tudo o que se relacione com o futebol e a defesa da verdade desportiva.Tudo tem andado muito devagar neste processo. A IB e a FIFA andam a passo de caracol; as outras confederações, federações e ligas pouco podem fazer senão ‘obedecer’. Neste aspecto, Portugal teve o mérito de se colocar nos lugares da frente e isso, apesar de tudo, é de relevar. Mas a lentidão não é por acaso…

O cacto -- Pouca-vergonha

A auditoria interna realizada às contas da FIFA dão conta de um esforço concertado entre três altos ex-dirigentes da FIFA (Blatter, Valckx e Kattner, que era director financeiro e ex-secretário-geral adjunto da instituição) para enriquecerem através de aumentos de salário anuais, bónus do Campeonato do Mundo e outros incentivos, que lhes permitiu receber mais de 71M€ nos últimos 5 anos.

São números pornográficos. Não há nada que explique estes números, a não ser uma tremenda falta de vergonha e a convicção de que, sendo poderosos, nada lhes acontece. Na política, na banca, no mundo financeiro, no futebol, o Mundo continua dividido entre os chicos-espertos, com ‘capacidade’ para fazerem estas fortunas e os parvos-contribuintes, que alimentam a pouca-vergonha. Até quando?

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