Pressão Alta

Rui Santos
Rui Santos

Vítor Pereira deixou-se aprisionar

Vítor Pereira comunicou que não se recandidata ao cargo de presidente do Conselho de Arbitragem da FPF.

Não é uma boa nem uma má notícia, porque se é verdade que o seu desempenho não foi positivo, não é fácil projectar, nas circunstâncias em que assenta o 'modus operandi' do Conselho de Arbitragem, a estabilização do sector.

Saltaram muitas rolhas de garrafas de champanhe, há vencedores e vencidos nesta contenda que são fáceis de nomear, mas o problema de fundo mantém-se.

Enquanto não forem introduzidos mecanismos de correcção e transparência ao sector da arbitragem, o presidente do CA da FPF oscilará sempre entre o que simbolizam as figuras da rainha de Inglaterra e da Joana d'Arc: pouco poder e martirização.

Pouco poder porque deveria ter acesso a mais informação e não tem, designadamente da secção de classificações, cujo vice-presidente, Ferreira Nunes, é hoje, talvez, o centro de poder da arbitragem em Portugal.

Martirização porque, não sendo capaz de denunciar desconformidades de funcionamento, acaba por ser queimado vivo na 'fogueira', como serão queimados vivos na 'fogueira' todos os presidentes do Conselho de Arbitragem que, doravante, se proponham comandar o sector, sem o apoio dos três 'grandes' do futebol português. Não deviam precisar deles e, ao precisarem, ficam logo amputados.

Vítor Pereira foi vítima da sua vaidade e da incapacidade de comunicar, e foi vítima, também, de não ter sido capaz de denunciar um conjunto de desconformidades que povoam o sector da arbitragem e ser ele próprio um fautor de mudança.

Há a percepção pública de que a arbitragem é um sector hermético, cheio de mistérios e não respostas. O líder da arbitragem não pode esconder-se atrás do discurso da excelência da arbitragem e de todas as estatísticas que garantem a capacidade de resposta dos árbitros. É a mesma coisa que ver Roma a arder e dizer que não se passa nada e o tempo está de ananases.

Não me parece coincidência o anúncio da não recandidatura de Vítor Pereira ter sido veiculado após às últimas declarações de Pinto da Costa. O presidente do FC Porto, com menos poder transversal, chamemos-lhe assim, desde que o seu ex-administrador, Fernando Gomes, saiu para a Liga e depois para a FPF, foi outra vez guilhotinante.

Pinto da Costa pode estar mais fraco, externamente, e com preocupações suplementares no FC Porto, mas tem muitos anos disto e sabe onde e como atacar. No caso da arbitragem há muito que preparou o plano de desgaste de Vítor Pereira, para o que muito contribuiu a decapitação de Luís Duque em benefício de Pedro Proença - um dos maiores opositores a Vítor Pereira, na arbitragem. Agora, percebendo o clima de crescente contestação, a degradação qualitativa do quadro de árbitros, as muitas lesões (com e sem aspas) que começaram a revelar-se no começo do ano e as divergências no seio do CA da FPF, desferiu o golpe fatal, ao denunciar a forma como (não) são feitas as nomeações. Com Vítor Pereira, Antonino da Silva e Domingos Gomes 'activos' e Luís Guilherme e Lucílio Baptista 'inactivos', o que significa à partida a negação da tese segundo a qual o presidente do Conselho de Arbitragem 'não nomeia'. Pelo contrário, Antonino Silva e Domingos Gomes têm sido, há muito, as principais 'extensões' de Vítor Pereira. Portanto: responsabilidade total!

O escasso poder não tem a ver, pois, com a natureza e o controlo das nomeações; o epíteto de 'Rainha de Inglaterra' tem a ver com o facto de o presidente do CA não seguir, passo a passo, todo o processo de classificações (notas e relatórios). Por exemplo, quando se faz a nomeação para as meias-finais da Taça de Portugal, faz-se também uma pré-nomeação para a final da mesma competição, o que significa que em Fevereiro faz-se uma espécie de tiro no escuro com vista ao jogo do Jamor, com a agravante de que este ano, ao contrário do que aconteceu no ano passado, o(s) nomeador(es) deixaram de ter acesso às notas. Isto faz algum sentido?

José Fontelas Gomes e Duarte Gomes foram os nomes, desde logo, colocados a correr para suceder a Vítor Pereira. A procissão ainda vai no adro. Entre a lista de consenso e uma luta de captura do sector da arbitragem patrocinada pelos clubes, cada qual (em facção ou não) com a sua sensibilidade, muita água vai passar por debaixo das pontes.

Uma coisa é certa: um presidente do Conselho de Arbitragem não pode submeter-se à provação de ser comandado por um clube, seja ele qual for. Chame-se ele Vítor Pereira ou Chico das Camionetas.

* Texto escrito com a antiga ortografia

JARDIM DAS ESTRELAS

FIFA renasce?

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A FIFA tem um novo presidente. Chama-se Gianni Infantino e tem a responsabilidade de restaurar a credibilidade do organismo que tutela o futebol mundial, dizimado no último ano por um conjunto de práticas criminosas que não são mais, afinal, do que um padrão de comportamento potencialmente corrupto a dominar o dirigismo desportivo ao mais alto nível.

A limitação dos mandatos e a monitorização de todas as transacções financeiras fazem parte de um pacote de medidas que visam restaurar, nos próximos (4) anos, a credibilidade da FIFA.

O futebol precisa de uma mudança. Veremos se Infantino, apoiado entusiasticamente pela FPF, será o homem de que o futebol precisa para enterrar a velha FIFA e o que (de muito) sobra dela.

O CACTO

Fora da Europa

Sporting e FC Porto fora da Europa. Inexoravelmente. O Sporting, em Leverkusen, ainda animou as hostes leoninas, durante cerca de uma hora. Mas foi mais fraco quando - com a entrada de Slimani, Bryan Ruiz e Gelson - todos pensavam que ia ficar mais forte.

Ficou a ideia de uma equipa a jogar um futebolzinho engraçado perante o futebol dos alemães. Linear, compacto, eficaz.

O jogo do FC Porto, perante os germânicos de Dortmund - demasiados alemães no caminho dos portugueses… - ainda foi mais decepcionante.

Desde o início - até pelo onze… - uma ideia estranha de abdicação, dissonante com o discurso de ambição discorrido na véspera.

A diferença de andamento dos jogadores é brutal. Os 'nossos' parecem sempre limitados, com dói-dói. Os outros correm que se desalmam. Porquê?

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