Pressão Alta

Rui Santos
Rui Santos

Vitória, Vitória acabou-se a História!

O Benfica, ao vencer ontem o Sporting de Braga, deu um passo muito importante na revalidação do título. Farão os responsáveis benquistas em não embandeirar em arco, porque nada está objectivamente garantido, mas depois deste triunfo apetece dizer: "Vitória, Vitória… acabou-se a História!".

Sabendo que o futebol está dependente de muitos factores e nada está ganho antecipadamente, este era em tese um dos dois jogos de coeficiente mais difícil no calendário do Benfica, no âmbito do campeonato, até final da época. O outro é a visita a Vila do Conde.

Por isso, na óptica do interesse dos ‘encarnados’, este jogo era para encarar sem nenhuma concessão ou condicionalismo. A partida com o Bayern, em Munique, para os ‘quartos’ da Liga dos Campeões, é já na próxima terça-feira, mas Rui Vitória sempre se recusou a fazer gestão de natureza física e não era agora que a iria fazer, principalmente depois de ter saído em sorteio o Bayern.

Preto no branco: não quer dizer que não possa acontecer, e a esperança é a última coisa a morrer, mas nem o benfiquista mais empedernido está à espera que o Benfica elimine ‘de caras’ a equipa bávara. Por isso, mesmo sem fazer gestão, as ‘fichas’ tinham de ser todas colocadas neste jogo com o Sp. Braga, até porque, entre os candidatos ao título, o Benfica era o primeiro a entrar em campo, a seguir a uma semana em que a maioria dos jogadores esteve ao serviço das respectivas Selecções Nacionais. E os jogadores seguiram o ‘input’ do treinador: foram generosos, correram, e nunca desaceleraram, em nome da qualidade do espectáculo. Um belo jogo na Luz, sendo certo também que a equipa de Paulo Fonseca não merecia um desfecho tão desequilibrado.

Missão cumprida: o Benfica derrota o Sp. Braga e tem agora pela frente 6 finais e o perigo maior está reservado para a deslocação ao campo do Rio Ave, uma semana antes do FC Porto-Sporting. E o ‘clássico’ no Dragão é outro argumento a favorecer as pretensões e os objectivos da equipa comandada por Rui Vitória…

Perante um grande ambiente e uma assistência de 61 042 espectadores, o Benfica não apenas cumpriu a missão de ganhar como, depois de 15 minutos em que podia ter ido ao tapete, com duas oportunidades desperdiçadas pelo Sp. Braga e uma bola no poste, realizou globalmente uma exibição muito eloquente. O primeiro golo, marcado por Mitroglou, mudou o jogo por completo e evidenciou a outra face da equipa bracarense: grande insegurança a defender.

Nos primeiros 15 minutos, o conjunto de Rui Vitória pareceu pequeno, à imagem do que tem acontecido, verias vezes, neste campeonato, mas durante mais de uma hora o Benfica deixou de ser uma equipa pequena para se transformar num grande Benfica, e isso deve-se ao facto de jogar tão bem sem bola como quando a tem em seu poder. A pressão constante que o meio-campo dos ‘encarnados’ e o conjunto no seu todo fizeram sobre as saídas do Sp. Braga dizem muito sobre o êxito benfiquista. O papel de Renato Sanches é muito importante no preenchimento de um ‘miolo’ activo, com Fejsa em bom plano e com Pizzi, Gaitán e os dois jogadores da frente, Jonas e Mitroglou, muito bem na missão de abrir e fechar, dando coesão e dinamismo nas acções em que todos são protagonistas.

Colhe-se a sensação de que o Benfica anda com uma ‘estrelinha’: não sofre golos em situações de golo iminente construídas e desperdiçadas pelos adversários (neste jogo, teve duas bolas nos ferros), mas a equipa gera mecanismos de eficácia verdadeiramente excepcionais e é, de facto, nessa excepcionalidade que assenta a liderança dos bicampeões nacionais. Não pode ser apenas sorte o facto da equipa, mesmo quando perde jogadores vitais como vinham sendo Júlio César e Luisão, conseguir substituí-los por outras unidades (neste caso, Ederson e Lindelof) sem qualquer tipo de afectação do rendimento.

No êxito do Benfica, ontem na Luz e ao longo da época, muito contribui o jogo e o entendimento entre Jonas e Mitroglou. O FC Porto não tem ponta-de-lança, o Sporting tem 1,5 (Slimani e meio Téo) e o Benfica 2 que, às vezes, valem por 4. Nas contas finais, isso pode ser decisivo. A eficácia é o principal mandamento do futebol. E em eficácia ninguém supera o Benfica. É por isso que… ninguém para o Benfica!

NOTA - Fernando Mendes era um senhor no trato e na partilha das ideias sobre futebol. Como treinador, era partidário de um futebol corrido e largo, que chegou a criar raízes em Alvalade, por ser diferente daquilo a que estávamos habituados a ver em Portugal. Deixa uma boa imagem. Que descanse em paz!



JARDIM DAS ESTRELAS

Casa das Selecções

- finalmente, mas…

Com 30 anos de atraso aí está a Casa das Selecções ou a Cidade do Futebol. O primeiro nome até estaria mais consentâneo com a realidade porque as infra-estruturas ali levantadas não têm dimensão de Cidade. Aliás, considerando os 30 anos de atraso e apesar de ser uma infra-estrutura importante, a sensação que se colhe é que a montanha pariu um rato. Útil, pois claro, mas ainda incompleta. Gastar 15 M€ e o edifiício das Selecções Nacionais não ficar totalmente autónomo (os jogadores nem sequer podem ficar na… Cidade!!!) é coisa pouco compreensível. Tarda em Portugal o equilíbrio entre o pífio e o megalómano.



O CACTO

Onde anda

o Estado?

Há Casa das Selecções (com um atraso de 30 anos!!!), mas não há Casa das Transferências. E esta é fundamental para regular uma das áreas do negócio que mais dúvidas e polémica vem suscitando ao longo dos anos. O Estado não pode demitir-se perante a evidência e a interrogação sobre a diversidade de informação que a este respeito tem vindo a lume, não apenas pelo estatuto de utilidade pública subjacente a muitas instituições que fazem da compra e venda de jogadores o seu ‘core business', mas porque isso levanta muitas dividas sobre a natureza e a (não) existência de tributação. No último caso vindo a público, envolvendo a empresa de intermediação de Alexandre Pinto da Costa, independentemente da escassez de informação que começa logo no facto da Energy Soccer não revelar o nome dos jogadores por ela representados, há uma questão ética subjacente a todo o processo: deve o filho do presidente do FC Porto e da SAD ter negócios, ainda por cima não totalmente explicados, com esse clube e com essa SAD? Não me parece, e este é um caso que deveria ser inscrito no âmbito de um quadro de incompatibilidades que o futebol, como indústria, deveria definir.

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