Sérgio Krithinas
Sérgio Krithinas Diretor executivo

Alta definição

O primeiro teste do vídeo-árbitro em Portugal aconteceu no domingo, no encontro da Supertaça entre Benfica e Sp. Braga. A arbitragem de João Capela foi alvo de várias críticas, inclusivamente de antigos árbitros e especialistas, mas para Jorge Sousa, o homem que esteve a acompanhar a partida através de televisores colocados numa carrinha junto ao Estádio Municipal de Aveiro, não houve motivos para corrigir nenhuma decisão. Não quer dizer que Capela tenha tido uma atuação perfeita; quer dizer que Jorge Sousa considerou que Capela não errou em nenhuma das quatro situações previstas para a intervenção do vídeo-árbitro.

Uma dessas quatro situações tem a ver com a marcação de grandes penalidades. O lance de Lindelöf com Hassan, aos 70', foi claramente fora da grande área mas, mesmo assim, pelo menos seis antigos árbitros com espaço mediático - e, por isso, com responsabilidades acrescidas - disseram que era penálti (a exceção foi Marco Ferreira, aqui nas páginas de Record). João Capela, impedido prestar declarações, não pode defender-se, nem que fosse para dizer aquilo que todos tínhamos obrigação de ver, nem que fosse com recurso às 'boxes' com gravações automáticas: o lance ocorreu fora da área.

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Sobre o lance aos 5', esse na área do Sp. Braga, e com o Benfica a pedir penálti por possível falta de Pedro Tiba sobre Jonas, a opinião de Jorge Sousa com base em imagens de TV foi ao encontro da decisão de João Capela no relvado: ambos consideraram que não houve infração. Os tais especialistas antes citados dividiram-se: três consideram que era penálti (entre os quais Marco Ferreira), quatro dizem que não.

Agora vamos imaginar que este teste em 'off' do vídeo-árbitro tinha sido a sério. No lance de Lindelöf com Hassan, parece-me que nem sequer haveria conversa; mas na jogada de Jonas com Pedro Tiba, cujo impacto mediático acabou por ser reduzido porque o Benfica ganhou o jogo, teríamos especialistas em arbitragem com opiniões contraditórias. A discussão deixaria de ser à volta da decisão de um árbitro e passaria a ser à volta da decisão de dois. Será que estamos preparados?

Por Sérgio Krithinas
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