Sérgio Conceição pode ter muitos defeitos, mas nenhum deles é a desonestidade. Por isso, não há qualquer razão para duvidar das palavras do treinador do FC Porto quando assumiu que Zé Luís é um jogador que pediu à direção. Até porque, em Braga, foi com Conceição que o cabo-verdiano deu o salto qualitativo que o fez um jogador de 7 milhões de euros, o valor pago em 2015 pelo Spartak para o contratar.
Mas há algo de estranho e inesperado nas intervenções do treinador e de Pinto da Costa, em direto, no Porto Canal: as próprias intervenções. O FC Porto é um clube que, nas últimas décadas, soube ignorar o ruído que vinha do exterior, fazendo desse um trunfo a seu favor. Ao deixar claro, pela voz do próprio, que Zé Luís foi uma escolha do treinador, a SAD portista está a abrir uma fenda. Agora, será legítimo perguntar quem escolheu cada um dos jogadores contratados nos últimos anos, incluindo os que falharam e os que sucederam.
Pinto da Costa deu o exemplo de Adrián López, com quem teve de "gramar" durante cinco anos, pagando uma fortuna. Além de falar de um jogador que até fez 25 jogos na última época, alguns dos quais importantes, o presidente portista está, em última análise, a menosprezar o seu papel e o da sua estrutura.
Por Sérgio Krithinas