_
Numa recente conversa com jornalistas ocorrida no Mónaco, e publicada em exclusivo para Portugal por Record, Aleksander Ceferin admitiu o óbvio: o dinheiro da Liga dos Campeões, sobretudo depois do aumento exponencial de prémios para esta época, está a quebrar o equilíbrio dos campeonatos nacionais, com particular efeito em países cujas ligas não têm fontes de receita ao nível das da Champions. Um problema que o próprio presidente da UEFA considera que deve ser resolvido a breve prazo.
Na Holanda, um país da mesma divisão futebolística europeia que Portugal, os três maiores clubes - Ajax, Feyenoord e PSV - propõem distribuir 10 por cento do dinheiro das provas europeias pelos restantes emblemas do campeonato, em nome do equilíbrio. Uma ideia interessante e que deveria ser aplicada noutros campeonatos periféricos, como o nosso. Porque - e os holandeses sabe, disso - a força da competição só ajuda a dar força a cada um dos emblemas. Porque ninguém é grande se estiver sozinho.
Enquanto os holandeses se entretêm com estas ideias loucas, em Portugal discutimos intensidade em faltas, ouvimos música de tourada num estádio depois de um clássico, e mostramos uma incapacidade crónica para dar passos juntos em nome de um bem comum. Seria fácil apontar o dedo à Liga, incapaz de se mostrar congregadora do futebol profissional, mas o problema é muito mais estrutural do que isso. Está quase tudo nas mãos de três clubes e enquanto eles não quiserem, nada feito. Ao menos que olhem para o que se faz na Holanda.
Por Sérgio Krithinas