Coerência
Os dois penáltis assinalados por Carlos Xistra, com ajuda de João Capela, no Belenenses-FC Porto mostram uma vez mais que os lances de mão irão gerar discussão para toda a eternidade, não interessa a quantidade de tecnologia ou olhos que sejam postos ao serviço do árbitro.
Os ex-árbitros com espaço de opinião na comunicação social foram, de uma forma geral, consensuais: dois penáltis bem assinalados. (Para mim, que não tenho nenhum curso de arbitragem, nenhum deles foi bem assinalado.) Mas é claro que a atuação de Carlos Xistra só não deu polémica grossa porque teve oportunidade de ser coerente e assinalar um lance semelhante a favor de cada uma das equipas, acabando com a discussão antes de esta surgir.
Seguramente que os que aplaudiram Xistra após a partida teriam sido os primeiros a atacá-lo se tivesse existido apenas uma daquelas jogadas, fosse em que área fosse. Aí, seguramente que o único penálti do jogo teria sido mal assinalado para meio Mundo (e bem assinalado para a outra metade) e que aquilo seria uma prova de que o clube 'x' ou 'y' controla arbitragens, o sistema ou até o FBI.
No meio de tanto cinismo, há algo que é uma saudável melhoria: ao tomar a decisão depois de ver as mesmas imagens que toda a gente viu, o árbitro ganhou soberania e independência. Podemos achar que as decisões foram más ou boas, podemos discuti-las e questioná-las, mas uma coisa é certa: são as decisões tomadas em consciência por quem manda dentro de campo. Se calhar é altura de mandar calar quem está fora.
