Desequilíbrios
A goleada quase pornográfica que o Sporting conseguiu ontem em casa do Belenenses SAD junta-se a outros resultados do tempo da outra senhora que já vimos neste campeonato. É possível que o debate futebolístico volte à questão da falta de competitividade em Portugal, reacendendo tudo aquilo que se disse após o famigerado 10-0 do Benfica ao Nacional. No Jamor, os oito golos do Sporting tiveram muito de conjuntural (a expulsão de Muriel e o desnorte dos azuis após o quarto golo contribuíram bastante para o desfecho), mas o desequilíbrio crescente do campeonato é uma realidade.
A tendência não é nova e tem-se agravado nos últimos anos, desde que a UEFA começou a colocar os clubes da Champions a nadar em dinheiro. Mais: não é um exclusivo do português – basta olhar para o que acontece habitualmente em Espanha, França, Itália ou até na Alemanha, apesar da temporada mais atípica do Bayern. Os grandes estão cada vez maiores, em alguns casos maiores do que as próprias ligas.
O grande paradoxo é ver que são grandes de Portugal os primeiros a pedir proteção antes das jornadas europeias, argumentando que estão a representar os interesses do país e a contribuir para o ranking. Nada mais falacioso: o ranking de clubes da UEFA é algo que não aquece nem arrefece 14 ou 15 equipas do campeonato. Fazê-las submeterem-se aos interesses das maiores é contribuir para a ditadura.
