Avarias
Restam poucas dúvidas que o vídeo-árbitro veio para ficar e, mais do que isso, a sua tendência será alargá-lo a mais competições. Os benefícios estão à vista de todos os que olharem para o tema com seriedade, mas tem havido algumas pedras no caminho. Umas causadas pelas diferentes máquinas de propaganda do futebol português, outras causadas pelos próprios árbitros.
O VAR é muitas vezes apelidado de tecnologia, como se fosse uma máquina a arbitrar, mas o essencial mantém-se: são árbitros-humanos que continuam a tomar decisões, mesmo que vendo os lances através de televisão, de vários ângulos ou em câmara lenta. E tudo o que mete humanos ao barulho, já se sabe, pode perfeitamente correr mal.
No Belenenses-Sporting do último domingo, o árbitro João Capela fez uma atuação de vídeo-árbitro à... paineleiro. O protocolo do VAR, como foi amplamente divulgado no arranque da temporada, prevê intervenção em casos de "decisões claramente erradas" da equipa de arbitragem em campo. Ora, nenhum dos penáltis indicados a Bruno Paixão - um para cada lado - se enquadra no conceito. Mesmo que ambos tivessem sido bem assinalados - como, já agora, foi considerados pela generalidade da crítica especializada - não foi para este tipo de jogadas que se inventou o VAR. Porque se fosse para isto, haveria penáltis em praticamente todos os lances de canto ou livres laterais.
São dores de crescimento, naturais numa alteração tão radical ao jogo. A boa notícia é que se vai aprendendo a cada dia que passa.
