Azul escuro
Muitos foram já os anúncios sobre o fim de Pinto da Costa e todos eles se revelaram exagerados, como os resultados demonstraram. Foi assim após ciclo 2000-2002, três anos de seca a que os dragões responderam com José Mourinho, dois campeonatos, uma Taça UEFA e uma Liga dos Campeões; foi assim após 2009/10, ainda na ressaca do Apito Dourado, quando o aparentemente imparável Benfica de Jorge Jesus foi vergado por André Villas-Boas e Vítor Pereira em três época consecutivas.
Há, no entanto, algo que, desta vez, torna bem mais difícil a missão de reerguer o FC Porto: os rivais estão diferentes e para melhor. Ao contrário do que aconteceu antes, Pinto da Costa enfrenta Benfica e Sporting estabilizados e numa fase de afirmação, sem cometer os sucessivos erros que tanto facilitavam a tarefa dos azuis e brancos. A pressão está, desta vez, do lado do FC Porto, cuja margem para errar se esgotou.
Num clube tão habituado a ganhar como aconteceu nas últimas três décadas, a paciência dos adeptos é cada vez menor. A menos que José Peseiro saque ainda um coelho da cartola, o FC Porto irá terminar a terceira época consecutiva sem vencer o título nacional. Pior do que tudo, não há ali uma base que sirva de referência ao futuro imediato e dificilmente haverá dinheiro para a construir - assim mostram os últimos relatórios e contas da SAD portista.
É cedo para anunciar o fim de Pinto da Costa, mas o presidente vive o momento mais delicado desde que subiu ao poder nos dragões.
