E apesar da gritaria

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A Seleção de sub-21 está apenas a dever uma coisa a Portugal: um título europeu. Já houve gerações brilhantes - a de 2015, com craques como Raphaël Guerreiro, William, João Mário ou Bernardo Silva - é apenas um de muitos exemplos, mas a verdade é que perdemos as duas finais onde estivemos e ambas por clara infelicidade: a de 1994 no prolongamento, depois de dominar a Itália, e a tal de 2015 no desempate por penáltis, depois de 120 minutos 'em cima' da Suécia.

Olhamos para a equipa atual e a pergunta é: de onde sai tanto talento? O futebol português tem tido esta capacidade incrível de se regenerar e, nos últimos anos, não se pode falar de uma geração de ouro, como se fosse uma exceção na história. Da equipa atual de sub-21, que até começou mal esta qualificação para o Euro'2019, é fácil perspetivar meia dúzia de futebolistas a jogar consistemente ao mais alto nível muito em breve. Arrisco: Diogo Dalot, Ferro, João Félix e Rafael Leão estarão entre eles.

Tanto talento formado de forma tão repetida só mostra que por baixo da gritaria espessa de muitos dos seus dirigentes, seja em nome próprio ou das máquinas de propaganda, os clubes portugueses trabalham muito bem, conseguindo detetar e potenciar talento como poucos. Com uma população muito inferior à da maior parte das grandes potências, é notável que Portugal se consiga bater de igual para igual em todos os escalões. Pena é que, no meio de tanto barulho desnecessário, pouca gente repare nisso.

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