Foi para francês ver... mas só a capital

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Anthony Vizzacaro é francês e chorou com a derrota da sua seleção na final do Euro'2016. Foi consolado por uma criança portuguesa, num momento registado em vídeo que correu o mundo. O Turismo de Portugal achou que estava ali uma mina para a promoção turística do país e convidou-os a visitar o nosso país. "Nosso país" é capaz de ser uma força de expressão, pois as imagens do vídeo promocional de Vizzacaro mostram apenas Lisboa e arredores. Parece que o francês foi só convidado a visitar a nossa capital.

O FC Porto, assumindo as dores que acredita serem do resto do país, indignou-se, mostrando-o na newsletter oficial 'Dragões Diário', muito violenta contra os "néscios - a palavra é esta - do Turismo de Portugal", criticando a opção de levar o francês só a Lisboa e o Estádio da Luz. E, independentemente de concordarmos ou não com os termos, a verdade é que o clube nortenho tem razão. Não tanto pela visita à Luz, pois seria normal que um adepto de futebol visitasse o Estádio do Dragão se fosse ao Porto, mas pela visita a Lisboa. E é pena que só uma instituição do futebol tenha levantado a voz contra um problema enraizado na sociedade portuguesa.

Antes de mais, é de questionar se a ação do Turismo de Portugal atinge os objetivos. Uma pesquisa no motor de busca de notícias em francês do Google dava cerca de 15 referências em meios de comunicação social franceses, todos regionais, e com base num artigo publicado pela agência AFP. Depois, se a intenção era dar a conhecer os encantos de Portugal, então faz ainda menos sentido mostrar ao mundo a zona do país que recebe mais turistas - só em 2015 houve mais de 5,2 milhões de estrangeiros em Lisboa.

Lisboa é a minha cidade, o local onde vivo há mais de metade da minha vida. Mas Portugal não é só Lisboa e quem nos governa devia ter isso sempre presente. As cabeças que mandam no Turismo de Portugal não o tiveram na altura em que convidaram Vizzacaro, mas este é apenas um exemplo menor de um dos mais sérios problemas estruturais que afetam o nosso país: o centralismo que vai estrangulando tudo o que não é a capital.

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