Jesus não pede licença
Numa entrevista que deu ao 'Expresso' em 2016, Bruno de Carvalho disse que é capaz de "aturar um filho da mãe 100 anos se ele for útil ao Sporting". Não se sabe se o presidente dos leões estava a pensar em alguém em particular, mas a forma como aguentou Marco Silva até final de 2014/15, mesmo quando a relação entre ambos estava em rutura total, mostra que o líder dos leões é bem mais calculista do que por vezes parece.
Quando contratou Jesus, Bruno de Carvalho já sabia o que comprava. Um treinador com qualidades e defeitos, mas acima de tudo com uma característica que se pode enquadrar em qualquer um destes lados: diz o que pensa, faz o que acha mais correto e não pede licença para o fazer. Toda a gente sabe que lhe fica mal dizer que foi ele a inventar alguns conceitos do futebol moderno, mas ele di-lo porque é o que acha e não se importa com o que pensam dele.
É, por isso, natural que, em Alvalade, talvez não tenha caído muito bem algumas das frases ditas na recente entrevista à UEFA. "A minha paixão pelo futebol não varia de acordo com o clube que represento", disse o técnico, que já tinha assumido que tinha sido "muito feliz" no Benfica e que, há poucas semanas, também chegou a acordo com os encarnados, enterrando um processo que poderia deixar mal na fotografia os rivais.
Sendo certo que ainda há coisas para conquistar, nesta altura fica a ideia que Bruno de Carvalho não quer Jesus na próxima época. Se o técnico sair, então será anunciado mais um novo ciclo, cheio de promessas e ilusões. Até quando?
