Nas mãos dos grandes
A acusação que o Sp. Braga fez ao Santa Clara, metendo o Benfica ao barulho, resume bem o desequilíbrio de forças do futebol português. Segundo os minhotos, que confirmaram toda a história já contada por Record, o Santa Clara estava disposto a transferir Guilherme Schettine por valores diferentes em função do comprador. Na perspectiva dos açorianos, seria mais vantajoso fazer um desconto a um clube mais poderoso, mesmo que o jogador não quisesse ser apenas mais um a mudar-se de passagem para a Luz.
Os grandes do futebol português já não se limitam a ganhar quase sempre. Nesta altura, um clube como o Benfica (como o FC Porto e até o Sporting noutros momentos do passado) tem capacidade financeira para manter sob vínculo centenas de futebolistas profissionais. Contrata aqueles que precisa e não só, muitas vezes apenas para fazer alguns negócios de mais alguns milhares ou milhões de euros. E há sempre sobras para empréstimos ou cedências a custo zero com as famosas opções de recompra.
Não se julgam aqui as intenções, até porque muitas vezes são os próprios clubes mais pequenos a querer jogar o jogo com estas regras (muitas vezes não sabem jogá-lo de outra forma...). Mas é algo que levanta dúvidas e devia incomodar quem se preocupa com a transparência de toda a competição.
