Ninguém fica a ganhar
Aos olhos de um leigo em Direito, daquilo que se conhece do processo E-Toupeira pode ser estranho que as ações de uma pessoa tão influente como era Paulo Gonçalves no Benfica não tenham consequências para a SAD encarnada, com os argumentos de que não desempenhava funções de liderança na área em causa e cuja atuação não foi do conhecimento da administração – ponto que mereceu um puxão de orelhas ao trabalho do Ministério Público. Mas as decisões de três juízes, de dois tribunais diferentes, assentes numa longa argumentação legal, foram no mesmo sentido relativamente à responsabilidade da sociedade, embora tenha havido variações importantes relativamente aos outros três arguidos, todos eles muito mais penalizados pela decisão de segunda instância. São as regras de um Estado de Direito.
A futebolização da Justiça, como de outros pilares da sociedade, faz com que esta decisão seja lida muito em função das cores clubísticas de quem a vê. Para Sporting e FC Porto, como se percebeu pelas posições públicas tomadas ontem, foi uma derrota; para o Benfica, uma vitória. Mas as ações pelas quais Paulo Gonçalves irá sentar-se no banco dos réus serão sempre uma mancha que atingiu o clube, pelo menos aos olhos da opinião pública. Vistas as coisas assim, talvez ninguém tenha ganho.
