O espetáculo
O V. Guimarães-Gil Vicente que fechou a Liga 2021/22 é bem capaz de ter sido um postal ilustrado do que temos para oferecer no futebol. Mais de nove meses de futebol terminam com um jogo sem qualquer relevância competitiva, entre duas equipas com as posições fechadas na tabela e à porta fechada (mais uma daquelas situações em que foi o infrator a escolher momento para cumprir o castigo). Os capítulos finais foram precisamente o contrário do que se espera num espetáculo: sem emoção, sem história, sem público. E "espetáculo" é a palavra decisiva aqui. Há muito tempo que o futebol se esqueceu que é isso que deve ser: um espetáculo capaz de prender a atenção das pessoas. Concorre com variadíssimas ofertas muito mais baratas, de acesso mais fácil e confortável, que nos chegam pela palma da mão e na ponta dos dedos. É preciso coragem e poder de quem manda para ganhar esta batalha.
