Um azar nunca vem só
Jorge Sousa teve azar. Disse aquilo que, acredito, é dito milhares de vezes por árbitros deste país (e não só) e teve o azar de haver um microfone suficientemente perto para apanhar tudo. Mas o problema é capaz de estar nos árbitros que têm a sorte de não haver nenhum microfone por perto. Nestes casos, não há quem valha a um jogador que seja insultado por um árbitro, pois não tem cartões para lhe dar. Por que não dar aos capitães de cada equipa a possibilidade de intervir nos relatórios de jogo?
Rui Costa teve azar. O árbitro do Benfica-Belenenses julgou mal o lance entre Eliseu e Diogo Viana, que aconteceu numa zona onde dificilmente seria visto pelos assistentes. A própria posição do corpo dos jogadores tornava também complicada a avaliação do juiz portuense. Rui Costa teve, tudo indica, azar no vídeo-árbitro que lhe calhou. Vasco Santos, com as imagens que o país viu, devia ter dado uma indicação firme de que era lance para vermelho. Rui Costa será penalizado pelo erro. E Vasco Santos? Quanto lhe custará um erro destes?
O VAR tem tido azar. Nem todas as imagens disponíveis permitem a avaliação exata. O problema é que a colocação das câmaras não depende dos organismos que mandam no futebol em Portugal. A Liga dá recomendações aos clubes sobre os locais onde devem ser colocadas as câmaras e, em todos os estádios, os espaços estão lá. Se o operador televisivo usa ou não esse local, é uma decisão que apenas lhe diz respeito. Para que o VAR funcionasse em pleno, era preciso que também isso fosse concertado com o Conselho de Arbitragem.
