Um mau dia para protestar
Há boas ideias que pecam por surgirem no momento errado. É o caso desta ameaça de indisponibilidde da parte dos árbitros aos jogos da Taça CTT em novembro e dezembro, motivada por mais uma semana de críticas dos suspeitos do costume. Nada de novo, portanto.
É precisamente por não haver nada de novo, nem de particularmente grave relativamente àquilo que já vimos esta época (e noutras, e noutras), que o 'timing' está longe de ser o ideal. Ainda para mais quando o anúncio surge 'em cima' de um fim de semana que não correu particularmente bem aos árbitros que estiveram nos jogos mais mediáticos. Rui Costa, em Alvalade, não conseguiu ver um penálti nem com recurso às imagens de TV; Nuno Almeida, nas Aves, foi incapaz de descortinar uma falta clara antes de outro castigo máximo. E, claro, além de uma comprometora falha no sistema de vídeo-árbitro, à qual são alheios os juízes.
Tudo isto surge numa altura em que o setor da arbitragem, tantas vezes maltratado, vive dias de relativa calma, até porque as permanentes críticas dos clubes já pouco efeito têm junto dos adeptos. O maior foco de instabilidade parece ser até a questão dos prémios de jogo. E, por muito que a classe da arbitragem não o diga, esta ameaça de indisponibilidade soa a reliação pela resistência da Liga em rever os prémios.
Os árbitros merecem merecem todo o respeito e a maior parte das guerras que travam são justas. Mas devem escolher melhor o momento e as armas com que querem lutar.
