Um problema para dois
A temporada 2017/18 ainda nem começou mas na cabeça dos três grandes deve já estar a temporada seguinte, de 2018/19. Porque será a primeira desde 2011/12 em que só o campeão da Liga portuguesa terá garantida a presença na fase de grupos da Liga dos Campeões. Tal significará um avanço de muitos milhões de euros em relação à concorrência.
O segundo classificado do campeonato que vai começar dentro de pouco mais de um mês terá de jogar duas pré-eliminatórias em 2018/19 (o que implicará inicar a temporada mais cedo, com as consquências que isso também tem a nível desportivo). O terceiro terá de contentar-se com a Liga Europa, a prova dos 'pobres'. Isto quer dizer que, em termos práticos, não vencer o próximo campeonato irá representar um problema (resolúvel) para um clube e um grande problema (irresolúvel) para outro.
Os títulos são, obviamente, importantes para todos os clubes, mas a verdade é que, nas últimas seis temporadas, verdadeiramente importante era garantir os milhões da UEFA (no mínimo, 12,7, mas que facilmente chegavam ao dobro deste valor) que de outra forma não entrariam nos cofres dos clubes. É esse dinheiro que permite comprar novos craques e, por outro lado, não vender todos. E quem entra nesse ciclo, de fazer desta receita 'ordinária' ano após ano, habitua-se.
O futebol português, fruto das boas classificações no ranking UEFA, andou a viver nos últimos anos acima do que realmente vale. Este ajustamento à realidade poderá ser traumático.
