Um 'reset' precisa-se
Sérgio Conceição não podia ter uma herança mais pesada no FC Porto. Para um clube habituado a décadas de vitória, quatro anos sem qualquer troféu parece uma eternidade. E, pior que tudo, quebrou-se um ciclo em que tudo parecia correr bem: as vitórias, sobretudo na Europa, valorizavam os jogadores, que eram transferidos por verdadeiras fortunas, havendo depois dinheiro para ir buscar as maiores promessas do mundo, que traziam novas vitórias e voltavam a valorizar-se.
Foi este o modelo do FC Porto, depois imitado pelo Benfica, e que permitiu ao clube receitas extraordinárias ano após ano e que serviam para disfarçar as diferenças reais em relação aos grandes mercados europeus. O problema é que, depois de quatro anos em branco, com uma massa salarial elevadíssima e a UEFA à perna devido ao fair-play financeiro, o FC Porto ficou encostado à parede. Não tem dinheiro para contratar os craques que todos querem e, ao mesmo tempo, é obrigado a vender os mais valiosos que tem. É com estas contas de subtrair que Sérgio Conceição está 'obrigado' a vencer.
Nenhum adepto gosta de ouvir isto, mas ao FC Porto fazia bem um 'reset' e, mesmo que apenas internamente, assumir que o título não é uma obrigação nesta temporada. Tal como o Benfica durante a primeira metade da era Vieira (e descontando o título de 2004/05, ganho contra a corrente), os dragões deviam pensar em estabilizar, fazer crescer um plantel mais 'low cost' e depois voltar às vitórias. Mas, para isso, não podem mudar de treinador todos os anos.
