Alta performance

Susana Torres
Susana Torres

Desperdiçar talento

Um dos grandes desafios que existem no futebol, nomeadamente nas primeiras divisões, é a falta de competências por parte dos clubes para reter e desenvolver talento. Muitas vezes, um jogador está numa fase em que sente dificuldades para conseguir desempenhar com eficácia as suas ações, talvez porque lhe falte a confiança ou a motivação, talvez porque não se consiga enquadrar nas ideias do treinador, e muito provavelmente porque lhe falta as competências emocionais e os recursos. Nestas alturas, o jogador precisa que alguém o ajude a encontrar a melhor forma de evoluir, de se adaptar ao contexto, e no clube não consegue encontrar essa ajuda.

E isto acontece por duas razões. Por um lado, os jogadores não pedem ajuda, pois não querem que isso seja interpretado como uma fraqueza ou limitação, têm receio que esse pedido de ajuda influencie negativamente a imagem que a equipa técnica possa ter sobre eles. Por outro lado, os clubes não sabem identificar, nem desenvolver ou até fornecer a ajuda necessária, para que um jogador com talento o possa colocar ao serviço da equipa, a fim de alcançar os melhores resultados.

Os clubes em geral preocupam-se com as competências técnicas e físicas, desvalorizando as competências mentais e emocionais. O que acontece como resultado de tudo isto, é que um jogador com talento, por algum motivo, está a boicotar a sua performance, e no contexto onde opera só encontra crítica, decisões sobre a sua utilização ou não no onze e sobre a sua permanência no clube ou um eventual empréstimo. Em vez de se desenvolver o talento, encontrar forma de desenvolver competências, desbloquear limitações e se colocar o jogador a trabalhar para os resultados, encosta-se, dispensa-se, não se utiliza esse jogador e uma grande parte das vezes, coloca-se o atleta a rodar noutros clubes.

Inevitavelmente, perdemos talento, e eu digo talento, pois tenho a certeza de que algum talento existe, caso contrário o jogador não estaria a jogar ao mais alto nível. O mais incrível é que investimos fortunas nos jogadores, não só para os contratar como também para lhes pagar aquilo que eles ganham, e depois desperdiçamos talento por não o sabermos reter e desenvolver. Investimos tudo nos noventa por cento que é a componente física, e descuramos totalmente os dez por cento da componente emocional e mental, os dez por cento que fazem toda a diferença entre ter ou não ter resultados.

Quando o jogador finalmente encontra forma de trabalhar esses recursos, e encontra forma de alcançar esse equilíbrio entre a parte física e a parte emocional, dispara na sua performance e obtém resultados. Infelizmente para quem tomou a decisão de o dispensar, esses resultados estarão a servir outros clubes e alguém vai tirar grande partido disso.

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