Vítor Baía
Vítor Baía Antigo internacional

Sofrimento

É com perplexidade que se olha para este Porto, que tantas dificuldades teve ontem para ultrapassar o União, mesmo tratando-se de um adversário que, na Madeira, até já fez mossa a Sporting e Benfica. No Dragão, a equipa tem de mandar, tem de ser forte a todo o tempo, tem de ser poderosa, mesmo que venha de uma semana difícil, depois de perder em Braga, embora com a atenuante de a arbitragem não ter sido a mais imparcial.

O que mais uma vez se passou no Dragão foi, no fundo, nova demonstração de que a época não foi bem acautelada. Mas sobre isso já muito falei. A vitória de ontem permite aos dragões continuarem na luta pelo título, mas com um adversário: a ansiedade, que vai crescendo, porque o campeonato está mais perto do fim, o Sporting não tropeçou e o Benfica – até pela embalagem que lhe deu o apuramento na Champions – dificilmente tropeçará amanhã.

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É uma jornada mais em que o FC Porto se afasta do objetivo principal e a tudo isto há que acrescentar um outro problema: momentos de intranquilidade como os de ontem jogam a favor dos adversários que vêm aí. Dá-lhes força. Há tempo para dar a volta? Tempo há se os outros ajudarem e se o FC Porto não fizer rasteiras a si próprio. Porque estar a vencer por 2-0 – resultado de uma boa primeira parte - e abrir a porta ao sofrimento não parece a melhor forma de limpar o espírito. E o espírito precisa de estar limpo para encarar cada batalha até ao fim. É essa a obrigação do FC Porto, é isso que os adeptos esperam.

Por Vítor Baía
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