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O FC Porto foi derrotado com o Leipzig para a Champions, num encontro ingrato em que, é verdade, alguns jogadores não registaram os níveis de concentração a que já nos habituaram na época em curso. Por este motivo, perdeu o jogo, por erros de concentração. A derrota na Alemanha não pode ser explicada exclusivamente pelo facto de José Sá ter surgido com surpresa no lugar de Iker Casillas.
Por tudo o que o guardião espanhol representa no universo do futebol, pela sua qualidade, pela sua simpatia até, criou-se um caso, mas na realiade temos de saber fugir à tentação de fazermos disso uma questão central. Claro que surpreende ver Casillas no banco, claro que todos ficamos a pensar em mil razões, mas o treinador, no final, e principalmente na conferência de imprensa de antevisão ao jogo com o Paços de Ferreira, explicou direitinho o que motivou essa decisão: foi uma opção dele próprio e é como tal que tem de ser respeitada.
É sempre difícil alterarmos o curso das coisas, mas julgo que a decisão de Sérgio Conceição não coloca em causa a qualidade, a competência, a dedicação e o passado do guarda-redes espanhol. Não estaria bem se colocasse em causa algumas destes adjetivos que cabem bem a Iker Casillas. Ao mesmo tempo, Sérgio abriu espaço a um jovem e talentoso guarda-redes, que já deu provas do seu valor, principalmente nas seleções jovens de Portugal, e, em simultâneo, manteve a concorrência pela titularidade, o que só pode beneficiar o FC Porto. Portanto, não façam disto um caso.
Tal como Sérgio Conceição, também não apreciei a diferença de tratamento da comunicação social entre José Sá e Svilar. Ambos protagonizaram momentos infelizes, mas o guarda-redes do FC Porto foi bem mais castigado do que o do Benfica. E nem vale a pena falarmos na dimensão da falha de um e de outro. Os guarda-redes precisam de carinho nas horas difíceis, também concordo, também aconteceu comigo por diversas vezes, mas julgo que esse carinho tem de ser igual para todos.
Ontem, e depois dessa derrota que não é comprometedora para as aspirações da equipa em chegar aos oitavos da Champions, o FC Porto deu uma resposta inequívoca, goleando o Paços de Ferreira w revelando uma dinâmica que já está no sangue desta equipa. E isso é, em primeiro lugar, culpa de Sérgio Conceição, que lhe dá uma alma danada e difícil de controlar.
Foi uma boa resposta,tal como o treinador prometera ainda na Alemanha. Um FC Porto goleador e não há nada como (muitos) golos para sarar as feridas de uma jornada europeia.
Por Vítor Baía