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Vítor Baía
Vítor Baía Antigo internacional

O direito a ser feliz

O FC Porto não estará hoje na final da Taça da Liga como era desejo e ambição de toda a família portista. Perdeu o primeiro título que esteve ao seu alcance, mas provavelmente reforçou a união de grupo e a certeza de que está no bom caminho. Porque durante todo o jogo, ou quase todo, foi a equipa mais forte, mais dinâmica e com mais força e aquela que esteve mais perto de vencer o jogo sem ser nos penáltis. Depois de uma primeira parte em que a supremacia no clássico foi dividida, arrancou para uma segunda parte em que mandou no jogo, criando uma série de oportunidades para marcar. Falhou na eficácia, ou seja, falhou onde não costuma e onde não se pode falhar.

Mas podemos por isso crucificar a equipa? Perder nos penaltis também é uma questão de competência, e aí o Sporting foi mais competente, como reconheceu Sérgio Conceição no final do encontro. A sorte, que também conta nos penáltis e no próprio jogo, não esteve do lado de quem mais fez por vencer. Sim, defender ou marcar um penálti também é uma questão de competência, é um factor do jogo que hoje os treinadores também trabalham nos treinos ao longo da semana, mas a sorte também entra nisto, porque adivinhar um lado, como o fez Casillas em duas ocasiões, também é uma questão de sorte. Depois, sim, entra a competência.

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Eu vi um FC Porto senhor do jogo e é a isso que todo o grupo tem agora de se agarrar para os próximos confrontos, a começar já com o Moreirense, depois de amanhã. Há ainda mais clássicos para jogar e três frentes para combater e vencer. O que de bom tem de se tirar desta meia-final é que o FC Porto tem saúde para chegar ao sucesso. E tem jogadores. Paulinho ainda não se estreou, mas Waris, sim, e já mostrou que pode ser mais uma boa opção para o plantel. O que de mau teve esta meia-final foi a perda de Danilo, por lesão, e por um período desagradavelmente longo. Esse é outro desafio de Sérgio Conceição – encontrar dentro do grupo alguém que faça as funções do grande campeão europeu ou ir ao mercado buscar uma alternativa.

É verdade que mesmo sem Danilo, que se lesionou bem cedo, o FC Porto conseguiu equilibrar o jogo e mandar até na maior parte do tempo. Não sei se foi circunstancial, mas a verdade é que Herrera fez muito bem de Danilo. Talvez a solução esteja dentro deste grupo, que, apesar de ter falhado este primeiro objetivo, continua a encantar com um futebol vistoso e a dar sinais de saúde para se bater pelo campeonato. Deve ser esse o grande objetivo do FC Porto, aquele que não pode mesmo falhar, até porque esta equipa merece ser feliz. Eu acredito no Sérgio Conceição e nos jogadores que ele comanda. Tem realmente o direito a ser feliz.

Por Vítor Baía
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