Vítor Baía
Vítor Baía Antigo internacional

Plano cumprido à risca

Para os amantes do espetáculo, o Portugal-Croácia não foi um jogo que deixasse boas recordações. Mas para os especialistas da estratégia, o encontro terá proporcionado análises como se de um jogo de xadrez se tratasse. Num espaço fechado, cada substituição lançou para o jogo novas questões, forçando a mexidas que o tornaram atrativo do ponto de vista tático. O nosso selecionador projetou um plano que foi cumprido à risca.

Fernando Santos foi mestre. A forma como preparou o jogo deixou à evidência que, sendo um homem de convicções, não é propriamente teimoso. O nosso selecionador – sei, porque o conheço bem – tem capacidade de análise e disponibilidade para ouvir, mas decide pela sua cabeça. Por isso, a equipa que armou teve quatro alterações que foram ao encontro daquilo que era preciso fazer neste jogo. É claro que sempre podemos considerar que há quem mereça ser titular (caso do Renato Sanches) ou justifique mais oportunidades (como Rafa, que poderia ter cumprido mais minutos na 1.ª fase, frente a adversários que atuaram num bloco mais baixo), mas Fernando Santos sabe, melhor do que ninguém, como deve gerir o grupo.

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O jogo com a Polónia será diferente. O espírito de superação, o sacrifício, a entreajuda e o compromisso são inegociáveis (Cristiano foi a esse nível exemplar) , mas o jogo vai partir de bases diferentes. A Croácia assumiu um favoritismo que a Polónia vai rejeitar. Seria mais confortável para nós que o ‘quadro emocional’ do duelo dos oitavos se repetisse, mas há um ligeiro ascendente nosso nesta medição de forças com os polacos.

Vamos ter pela frente um adversário com a fama de ser poderoso do ponto de vista físico, embora com a Suíça a Polónia tenha esgotado o ‘combustível’ aos 50/55 minutos. Há que ser inteligente na gestão do tempo e dos momentos do jogo. A esse nível, é mais um jogo cerebral que se exige à Seleção. Sabendo que o adversário não quererá ter tanta bola como quis a Croácia, a consistência, dinâmica coletiva e inspiração individual serão as chaves do jogo num plano estratégico que impõe tornar o campo o mais largo possível e dar profundidade aos corredores.

Positivo

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A estratégia que Fernando Santos montou para o jogo com a Croácia. Não encantou? Não, mas foi eficaz e é gratificante para quem foi meticuloso na preparação do jogo e análise do opositor.

Negativo

A Hungria que venceu o grupo de Portugal caiu com estrondo frente à Bélgica e sofreu 7 golos em 2 jogos. A Eslováquia também saiu pela porta pequena. Foi um doce para a Alemanha.

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Por Vítor Baía
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