Não há razões para não acreditar no apuramento de Portugal para os oitavos-de-final do Europeu. A qualidade do jogo demonstrada frente à Áustria e a evidente evolução da equipa do encontro inaugural para o que disputou em Paris, transmite-nos boas sensações.
O compromisso é essencial e foi mantido na sua máxima expressão. Essa é uma das conclusões positivas a tirar do frustrante empate com os austríacos. Mas houve mais. A segurança quase absoluta que deu o sector defensivo apoiado na experiência de Ricardo Carvalho e Pepe. A dinâmica e intensidade que João Moutinho e André Gomes deram à equipa e o equilíbrio e qualidade de saída de bola de William Carvalho foram fundamentais na ligação à linha avançada. O trio da frente, muito versátil e móvel, criou dificuldades à marcação.
Sim, falhámos muitos lances de golo e até Cristiano desperdiçou um penálti. É humano, mas todos sabemos que a qualquer momento pode fazer a diferença. Não vale a pena entrarmos na espiral de lamechices, superstições e fatalidades. Assim como tem havido qualidade para construir situações de golo também há para marcá-los. Seguramente chegará a hora de Cristiano. É a história do ketchup.
Há crise de confiança? Não transparece. As reações no final do jogo, com discursos positivos de Moutinho, Nani, Fernando Santos, refletem a convicção naquilo que está a ser feito. Há que dar continuidade ao trabalho e procurar ser mais eficaz na finalização.
Esta ‘democratização’ do Europeu abriu as portas a mais participantes (16 para 24) mas introduziu seleções que fazem do processo defensivo o ponto de partida (e às vezes chegada...) da sua organização. Portugal defrontou duas equipas que jogaram num bloco muito baixo e investiram nas marcações. Receio que a Hungria não vá ser diferente.
É determinante ter jogadores que desequilibrem no um para um. Quaresma é uma arma importante nesta estratégia mas acho que é também altura de se olhar para o Rafa como uma opção para abrir defesas mais fechadas, assim como Renato Sanches pelo seu jogo vertical.
Por Vítor Baía