O FC Porto arrancou para mais uma época, sem reforços, pelo menos por agora, e com algumas bos notícias como é a permanência de Iker Casillas, dito pelo próprio. É um tempo novo, um tempo de esperança de que a tendência vencedora do Benfica se altere. Cabe ao FC Porto – como ao Sporting – a obrigação de não deixar que o Benfica atinja aquilo que agora traça como objetivo, tornar-se pentacampeão.
Sei que é um sinal dos tempos, mas agrada-me que o FC Porto tenha de recorrer à prata da casa para fazer um plantel capaz de enfrentar a luta pelo titulo, não caindo desta vez, como de há um tempo a esta parte, em contratar jogadores que não valem o preço que se paga (oupagou) por eles. Claro que Sérgio Conceição gostaria de estar num cenário de maior abundância financeira para fazer um plantel mais rico, mas o Sérgio é um treinador que sabe muito bem lidar com a pressão. Vão pedir-lhe o título, os adeptos pedem o título, e não vão estar com contemplações nos tempos difíceis que o FC Porto vive – por culpa própria e por inadmissíveis e lamentáveis erros de gestão.
Será um FC Porto com atitude, forte, ambicioso, aquele que Sérgio Conceição vai construir, com a certeza de que não cairá em erros de um passado recente. O discurso do treinador, nas primeiras entrevistas que já deu ao canal do clube, é sentido e tem um caminho: a vitória. É para lá que o FC Porto vai caminhar, porque foi assim, com a prata da casa e com jogadores teoricamente de valor médio (mas só teoricamente) que o FC Porto chegou às grandes vitórias.
Há jogadores que estão a regressar ao clube, depois de terem andado por outros clubes a valorizarem-se. Podiam tê-lo feito aqui, mas as opções eram outras, embora em termos de valor nada fiquem a dever a quem cá esteve e passou sem história pelo clube.
A esperança de que falo viu-se bem na tarde de apresentação no Dragão.Um estádio cheio com adeptos animados por uma força renovada que este plantel vai com certeza transmitir e demonstrar dentro do campo.
Acredito sinceramente neste novo FC Porto, mesmo sem grandes figuras ou craques. Aliás, a espinha dorsal da equipa, à partida, mantém-se, o que não deixa de ser outra boa notícia, porque na época passada a equipa não esteve bem a lidar com a pressão – e por isso perdeu o campeonato – mas este ano, como diz o povo, já sabe do que a casa gasta e será mais capaz de lidar com situações em que se exige personalidade e um forte espírito de conquista. Eu acho que é esta última ideia que Sérgio vai trabalhar em termos de mensagem: um forte espírito de conquista em cada jogo, em cada momento em que seja necessário revelar isso mesmo. Já partem com uma vantagem: os adeptos vão estar do lado dos jogadores, do lado da equipa, como sempre estão, sendo perfeitamente compreensivéis os momentos de exigência que revelam em alguns jogos. Os adeptos sabem dar carinho e merecem, por isso, que lhes retruibuam com o carinho das vitórias. Merecem os adeptos, o clube, a cidade. Com esse forte espírito de conquista.
Por Vítor Baía