Apenas o Braga pode abrir um sorriso muito largo na ressaca da jornada europeia, depois de uma vitória difícil mas justa sobre o Sion, fruto de um trabalho bem pensado desde o início da época que mantém a equipa de Paulo Fonseca com condições para cumprir nas quatro frentes. Não é fácil a gestão de tantos jogos, mas o segredo começa na construção do plantel, que é equilibrado e com boas opções. Ao contrário do que acontece com o FC Porto.
A derrota em Dortmund é retificável, mas evidenciou que este plantel, para lá do valor que tem, não foi bem construído. Como é que se pode entender que, olhando a todas circunstâncias, o FC Porto não se tenha reforçado com um bom central, ou dois, optando por encher as opções para o ataque? Reyes, por exemplo, não poderia ter sido resgatado? Acredito, e desejo, que o FC Porto até pode dar a volta, mas está a perder por 2-0 e vai ser preciso uma superação brutal para continuar em prova. Depois da corajosa vitória na Luz, a equipa pode continuar a bater-se pelo campeonato, mas fica a certeza de que não houve coerência na construção do plantel. E há responsáveis por isso.
Também o Sporting deixou a desejar. Jorge Jesus tomou uma opção, o campeonato, e vai com ela até ao fim. Mas corre um risco tremendo. Se perder o campeonato - e admitindo que será muito difícil seguir na Liga Europa - o que fica para a história? Nada. Fora da Taça de Portugal e da Taça da Liga - não sobrará nada. A ver vamos se Jesus tinha razão para correr o risco de nada ganhar na época.
Um sorriso sobra apenas para o Benfica, mas não é um sossego. Vencer o Zenit e não sofrer foi bom, mas a vantagem é magra e será um jogo duro em S. Petersburgo. Pelo menos na Luz há uma declarada ambição em não ficar pelo caminho.
Por Vítor Baía