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Vítor Baía
Vítor Baía Antigo internacional

Uma grande Seleção

Portugal alcançou de forma brilhante a presença direta no Mundial da Rússia. Desta vez, não tivemos que estar a rezar para nos tocar uma equipa acessível no playoff, como já nos aconteceu tantas vezes.

Portugal foi, acima de tudo, competente na forma como fez todo o percurso do apuramento, vencendo onde tinha que vencer, ou seja, em todo o lado. Perdeu apenas na Suíça, uma derrota que, se olhada no tempo e no momento, e atendendo ainda ao adversário, foi até natural. Essa derrota na fase de apuramento surgiu no primeiro jogo, pouco tempo depois de termos sido campeões europeus. Havia ainda uma euforia no ar que não foi completamente desvanecida e isso pode ter feito a diferença. Mas, depois dessa derrota na Suíça, foi imperturbável a Seleção Nacional, vencendo todos os jogos, aqui e ali com exibições menos conseguidas, mas sempre sem deixar dúvidas sobre a justiça dos resultados.

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E assim se chegou ao jogo de todas as decisões, marcado para a última terça-feira, no Estádio da Luz. Senti nas pessoas que encheram o estádio fé e confiança, não receio, como noutras ocasiões, um sinal de que a Seleção Nacional já não é olhada com desconfiança. E o público acabou por ser muito importante num jogo em que havia outro contra: jogar sob a pressão de um resultado que só podia ser a vitória, enquanto a Suíça tinha o empate e a vitória como vias para chegar à Rússia. Portugal aguentou muito bem essa pressão do resultado, entrou em jogo com muita serenidade, com respeito, mas sem receio da Suíça, tal como pedira o selecionador Fernando Santos.

E o que vimos, então, foi uma equipa madura, a saber os tempos do jogo, a mandar e a nunca deixar em sossego a defesa helvética. A vitória surgiu naturalmente e fez-se a festa cantando o Hino, algo arrepiante.

Portugal vai assim estar na Rússia com todo o mérito e em resultado de um trabalho que se está a fazer e que tem de ser destacado. Agora, Portugal não falha fases finais, tornou-se um ‘habitué’ entre os finalistas e isso diz bem da qualidade do nosso futebol e dos jogadores portugueses. Ainda não é a hora do render da guarda; os que vêm sendo chamados por Fernando Santos estão aí para continuar.

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Os mais velhos já na fase final das suas carreiras, mas ainda a tempo de mais um Mundial. Os mais novos começam a marcar também território e a sossegar o futuro do futebol português. A passagem de testemunho está a ser feita com um grande nível e sobriedade. Fernando Santos é mesmo o homem certo. Está de parabéns a Federação por todo o trabalho mas também por tê-lo escolhido.

Por Vítor Baía
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