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Vítor Baía
Vítor Baía Antigo internacional

Uma Liga muito animada

As dificuldades que os grandes encontraram para levarem de vencida os seus opositores podem indiciar algo de muito bom – as equipas prepararam-se melhor, estão mais ousadas, têm mais qualidade e rigor tático, os jogadores ouvem mais os treinadores e, inquestionavelmente, nota-se mais estudo.

Quando as vitórias dos grandes são difíceis há a tendência para olharmos mais para os pecados que eles cometeram e não para as virtudes que as equipas mais pequenas tiveram. Por exemplo, no Benfica-Portimonense pode condenar-se a má primeira parte de um Benfica pouco dinâmico, mas não se pode passar ao lado da excelente organização da equipa de Vítor Oliveira, que conseguiu discutir o jogo sem ‘montar um autocarro’ à frente da sua baliza.

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Sabe-se como foi no segundo tempo. A ousadia de Portimão foi premiada, mas o Benfica conseguiu dar a volta ao resultado e sofreu, ainda assim, mesmo até ao final em que consentiu um empate festejado pelos algarvios, mas que o vídeo-árbitro (bem) anulou. O Benfica não esteve bem, mas há muito mérito do Portimonense.

O mesmo se pode dizer, e até com maior propriedade, do Feirense, que jogou olhos nos olhos com o Sporting. Vendeu muito cara a derrota e sofreu o golo no fim, na transformação de um penálti. O Feirense fez um trabalho excelente sem estar remetido a uma defesa rígida; atacou sempre muito bem, sempre com perigo, e não deu descanso ao comandante do campeonato, tanto que o empate não se desajustaria ao que se passou ao longo do jogo.

O Chaves, por seu turno, tornou melhor a vitória do FC Porto, que foi dura, deu trabalho, mas há nessa dificuldade também muito mérito dos transmontanos pela postura brava ao longo de todo o jogo.

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O campeonato português está entre os melhores da Europa. Não tem o mediatismo do inglês, do italiano ou do francês, mas começa a ganhar muitos adeptos. É daqui que saem alguns dos bons jogadores para os grandes clubes europeus.

A competitividade que se esboça neste início de época pode indiciar, como disse, algo de muito bom para o futebol português, se não nos dermos já por derrotados e dizer, por exemplo, que será difícil manter este equilíbrio até ao final. Claro que é difícil, mas é possível termos um campeonato mais animado, em que os grandes, os que têm os melhores jogadores e os mais bem pagos, sejam obrigados a trabalhos forçados para alcançarem as suas vitórias.

Por Vítor Baía
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