Uma grande Seleção
A Seleção Nacional entrou na reta final de preparação para o Mundial da Rússia, que está à porta, porque o tempo é mais veloz do que o Cristiano Ronaldo, uma das grandes figuras, senão a maior, do jogo de anteontem, pelos dois golos que marcou e que deram a vitoria a Portugal e pela energia com que encarou o jogo todo. A Seleção não fez uma grande exibição, embora tenha sido sempre melhor, mais perigosa do que o Egito que, desde que marcou o golo, começou a pensar em como seria bom empatar com o campeão europeu. A justiça chegou mesmo no fim, uma reviravolta que saiu dos pés de Quaresma e que foi completada por duas cabeçadas fenomenais do melhor jogador do mundo, que acaba de se tornar no terceiro melhor marcador de sempre ao serviço das seleções nacionais, só atrás de Puskas e do iraniano Ali Daei. É realmente um caso muito sério de sucesso, um tesouro que Portugal carrega com prazer e orgulho e que pode ser muito importante na fase final do Mundial.
Fernando Santos deve ter feito muitas leituras deste jogo com o Egito e que podem ser fundamentais para elaborar a lista de eleitos para o Mundial. Estará já muito perto de a fechar, é uma dor de cabeça porque a qualidade dos jogadores portugueses é imensa, as opções são muitas, mas só podem ir 23. Tarefa árdua, mas há que ter confiança porque o seleccionador habituou-nos a saber escolher os melhores, sem olhar a nomes ou ao passado. Talvez o nome que levanta maiores dúvidas neste momento seja o de Nani, não está fora, mas terá muitas dificuldades para garantir um lugar, embora Fernando Santos tenha dito que conta sempre com ele. De resto, há alguma expectativa para perceber que defesas vai levar Fernando Santos.
O jogo de anteontem deu-nos também a certeza de que esta equipa sabe o que quer, não convive bem com as derrotas e revolta-se quando a derrota ameaça, como disse muito bem Fernando Santos. Também gostei do discurso de antevisão do selecionador, quando disse que o Mundial não é um sonho, mas um objetivo. Deixa-nos com água na boca..
Água na boca também nos deixam dois jovens internacionais portugueses, Diogo Costa e Dalot, ambos jogadores do FC Porto, da formação, duas das périolas mais valiosas que o clube tem, um deles a demonstrar já a alto nível o seu valor, sempre que foi chamado a substituir Alex Teles. Ambos estão a menos de um ano de poderem decidir o seu destino e julgo que o clube tem de se apressar e cuidar do futuro. Não pode correr o risco de deixar fugir dois jogadores que formou como grandes futebolistas e como homens. Espero que o clube tenha a habilidade negocial para os convencer (e aos pais...) a renovarem o seu contrato. Já é mais do que tempo.
