Visão periférica

Vítor Baía
Vítor Baía Antigo internacional

A Europa como de costume

Sem ser um Mundial com muitas novidades ao nível tático, este Campeonato do Mundo está a surpreender pelo facto de os principais candidatos terem ficado pelo caminho. O último a cair foi o Brasil, num jogo em que a Bélgica foi taticamente perfeita, adiantando-se cedo, fruto de um futebol rápido e da interpretação perfeita da contra ofensiva. A Bélgica teve ainda o mérito de saber usar muito bem todas as suas armas mais poderosas, e estou a falar de Hazaard, De Bruyne e Lukaku, que foram enormes neste jogo de grande qualidade. De nada valeu a boa reação do Brasil particularmente no segundo tempo. A sentença de morte foi escrita cedo, cumpriu-se a sina deste mundial, foi mais um candidato para casa, cedo demais para as pevisões dos especialistas e os desejos de todo os brasileiros e de quem admira a seleção do Brasil.

A exceção neste lote de candidatos que não teve um destino cuel foi a França, servida por jogadores de grande qualidade, jovens, ainda, e só mesmo esse facto pode trair as pretensões legítimas dos franceses, a juventude. Mas dá prazer ver esta França jogar e será com certeza um duelo muito interessante com a vizinha Bélgica, numa altura em que as expetativas de um e de outro lado, por motivos muito particulares, são muito altas.

À semelhança do que tem acontecido nos últimos anos, as seleções europeias estão a dominar e será europeu o próximo campeão mundial, que irá suceder a Alemanha, Espanha e Itália, os três últimos donos do título. Portanto, não é uma grande novidade o que está a acontecer. Surpresa sim, porque as há, a começar pela Alemanha, que ficou em choque e chocou o mundo do futebol ao não passar sequer a fase de grupos, abrindo uma série de discussões internamente, sobre o caminho a seguir depois deste fracasso.

Aliás, várias serão as seleções a fazer obrigatoriamente esse tipo de reflexão. Num Mundial marcado pelas ausências de Itália e Holanda, habituais nestes torneios, nomes como Alemanha, Argentina, Espanha, mesmo o Brasil, terão de repensar métodos, e repensar mesmo os próprios campeonatos, uma vez que a falta de qualidade em alguns deles acaba por ter reflexo nas seleções, embora em muitos casos esta ideia seja contrariada pela globalziação do futebol.

Há uma coisa que é realidade. Independentemente de quem vencer o torneio, o futebol está já de parabéns e a Rússia tambem pela impecável organização, traída aqui e ali pelas entradas dos hinos fora de tempo. Em termos de qualidade este campeonato está a agradar bastante, pela emoção também e por todas estas surpresas em que é pródigo o futebol.

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