Histórias de verdadeiros campeões
Não tive a oportunidade de falar da grande conquista dos sub-19 de Portugal, no Campeonato da Europa. É mais uma vitória importante, num escalão de formação numa fase já adiantada, mas ainda assim são jovens futebolistas, alguns deles campeões dois anos antes, que revelaram toda a qualidade suprema que têm e que nos deixa orgulhosos. Quem assistiu à final com a Itália não pôde ficar indiferente à qualidade dos jogadores, à capacidade de suportar as recuperações dos italianos. Para além de uma grande qualidade técnica, estes jogadores têm uma elevada capacidade psicológica, uma força tremenda e um vasto sentido de equipa.
Há muita gente a quem se deve deixar uma palavra de apreço pelo trabalho realizado, começando por toda a estrutura da formação da FPF, pelo presidente Fernando Gomes, pelo diretor da formação Joaquim Milheiro, pelo treinador Hélio Sousa e por uma série de técnicos, muitos deles meus antigos companheiros no FC Porto e na Seleção, que estão a demonstrar uma qualidade extraordinária.
A vitória portuguesa deixou-nos também uma importante certeza: o futuro de Portugal está garantido, quando for hora de uma revolução mais profunda na equipa principal. Estes meninos formam uma geração de ouro que está pronta para surpreender o Mundo, assim continue, no caminho da felicidade. E merecem ser felizes, porque a forma apaixonada como encararam e venceram a final deixa-nos muito felizes e a gostar cada vez mais de futebol... e de ganhar. E permitam-me que deixe uma palavra particular ao Diogo Costa, que falhou a final devido a lesão. São momentos duros, mas foi também um grande campeão, que um dia poderá ser o dono da baliza de outro campeão, o FC Porto, que ontem abriu a sua época com uma vitória e a correspondente conquista da Surpertaça, um troféu que lhe é muito querido (e a mim também porque a venci por oito vezes). Não foi uma vitória fácil, porque o Aves não foi um adversário meigo, abusou às vezes de alguma complacência de um árbitro em início de época, e só isso pode explicar a falta de qualidade em algumas decisões que tomou e que prejudicaram o FC Porto (como é que a bofetada que Herrera levou não foi punida com um amarelo?).
E porque foi difícil, teve sabor esta vitória, que pode significar também o regressar ao velho e bom hábito de conquistar troféus. O que gostei mais foi a qualidade do jogo do FC Porto e o facto de a equipa ter demonstrado que continua unida e a manter um espírito forte, à imagem do seu treinador. É muito bom começar uma época a ganhar e o FC Porto conseguiu isso com uma enorme dose de justiça.
