O País dentro da Seleção
A nossa Seleção está quase lá, é um facto que devemos alimentar e pelo qual devemos torcer. A final está a 90 minutos de distância (ou mais um bocadinho...) e creio que não haja um único português que não acredite nessa possibilidade. A forte estrutura mental que revelou no encontro com a Polónia, e que foi fundamental para passar às meias-finais, é um bem que Portugal tem como se fosse outro de encher todas as reservas da Nação. Essa força transmitida por Fernando Santos, assimilada muito bem pelos jogadores – tanto os que jogam como os que ficam no banco – será uma arma fundamental no jogo com o País de Gales, que é, neste momento, uma seleção moralizada pelo bom torneio que está a fazer, chegando a uma fase da prova em que provavelmente nem os galeses acreditariam.
Não será um encontro fácil, mas poderá não ser tão difícil para Portugal como aconteceria se fosse a Bélgica o adversário, como todos estavam à espera. A ideia fundamental para este jogo, o plano, digamos, é partir do zero ou pensar que tem de partir do zero, encará-lo como se fosse a final, o jogo da vida de todos os que estão na Seleção. Portugal tem sido muito criticado pelo futebol sem brilho que pratica – é verdade que não deslumbra como há bem pouco tempo, mas é de uma eficiência que nos deve encher de orgulho porque, acima de tudo, vê-se uma equipa, vê-se até Ronaldo a tornar-se dependente de todos e não todos dependente dele.
Fernando Santos tem mestria em tudo o que está a fazer. A começar pela forma como prepara os jogos. As mensagens que vai passando são pensadas, mas genuínas, e chegam aos jogadores e a um povo que está com a Seleção sem precisar de fazer apelos para colocar bandeiras nas janelas. Os portugueses amam a Seleção, torcem por ela, porque perceberam que há muita vontade em cada jogador que entra em campo, nem que seja para funcionar como a velhinha arma secreta, como Ricardo Quaresma. Eu sou mais um neste jogo das meias-finais. Ganhem, amigos.
