O que nos faz sonhar
O FC Porto goleou o Monaco e carimbou o passaporte para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões, tornando-se na única equipa portuguesa a conseguir esse feito – pela 14ª vez do seu historial na competição –, arrecadando mais pontos para Portugal no ranking da UEFA, e foi também a única equipa portuguesa a consegui-lo, atendendo à má prestação do Benfica (foi incrível, zero pontos!) e à difícil batalha que o Sporting teve de travar com dois monstros do futebol europeu, Barcelona e Juventus. Era difícil ao Sporting fazer melhor.
A goleada sobre o Monaco de Leonardo Jardim - independentemente da equipa alternativa apresentada pelos monegascos – foi um sinal de força, de coragem e de qualidade que o FC Porto revela neste nomento. Está cumprido o objetivo traçado por Sérgio Conceição de passar aos oitavos-de-final da prova mais mediática do Mundo, com um plantel sem craques, sem aquisições de duvidoso valor, como num passado recente, tendo como reforços apenas jogadores resgatados a outros clubes, onde se encontravam por empréstimo. Erros do passado que custaram caro, mas que foram agora muito bem corrigidos.
E esta passagem do FC Porto faz sonhar, faz ainda recordar, a mim pelo menos, tempos de glória, em que furámos as expectativas e vencemos a Liga Europa e a Champions, enchendo de orgulho um clube que merece o enorme carinho das vitórias.
Já se conhecem os possíveis adversários, que vão ser sorteados amanhã -United, City, Tottenham, Liverpoool, Barcelona, Roma, PSG – clubes que têm um orçamento bem mais pesado do que o FC Porto. Contrariar o favoritismo do próximo adversário é a primeira missão do FC Porto, que bem pode aproveitar o facto de não ser favorito à partida para surpreender e seguir em prova. É o direito a sonhar e o ter consciência do valor e da raça da equipa que têm de prevalecer nesta fase da prova.
Sinceramente, parece-me uma equipa capaz de contrariar o tal favoritismo dos adversários, depois de um apuramento brilhante num grupo bem complicado, porque era muito equilibrado.
Do jogo com o Monaco tenho ainda de realçar o fantástico apoio dos adeptos e o seu comportamento na hora de saudar dois ex-jogadores, João Moutinho e Falcão. Foram dois jogadores que deram muito ao FC Porto e que foram aqui projetados para altos voos no futebol europeu. O carinho que o público lhes dispensou – ao ponto de aplaudirem o golo de Falcão, que não festejou – diz bem de quanto foi apreciado o seu trabalho no FC Porto e de como eles souberam ser gratos. Um gesto bonito, que me deixou muito feliz. Os adeptos têm memória!
