O tempo é de renovação da Seleção
Vão conturbados os tempos no futebol português, confirmando-se que o pior que existe no nosso futebol é o que se joga fora das quatro linhas. Não vou falar dessas questões, prefiro olhar com prazer para o futuro do futebol português, aquele que se joga nos relvados. Portugal é campeão europeu, e, por isso, alvo de atenções mundiais. Os olhos dos adeptos voltam-se para a nossa seleção, que tão brilhantemente alcançou o título europeu e ainda o detém. Temos uma maior responsabilidade. Foi o campeão europeu que vi jogar contra a Croácia e com certeza aquele que vou ver amanhã no jogo com a Itália, a contar para a Liga das Nações, uma nova prova que visa preencher os calendários de competição.
Vivemos um tempo de renovação, que está ser feita com mestria por Fenando Santos. Pelos jogadores que vai lançando e com uma sapiência notável, porque conseguiu manter os jogadores com experiência, como Pepe, William e Rui Patricio, e apostar em jovens valores, como Bernardo Silva, Ruben Dias, Ruben Neves e tantos outros que vimos neste particular com o vice campeão do mundo. Foi agradável ver uma seleção a jogar bem, descomplexada, dinâmica, e com muita vontade de mostrar o bom futebol que a Seleção joga. O resultado será o menos importante; a conclusão é mais agradável do que tudo o resto, temos o futuro assegurado. Portugal tem um conjunto de jovens valores que são capazes de formar uma grande equipa e de se preparar para as grandes competições, com a certeza de que temos qualidade e que seremos capazes de enfrentar os grandes desafios. Uma seleção que não teve Cristiano Ronaldo, e não há dúvidas de quanto a seleção ganha com ele em jogo, mas que também demonstrou que sabe jogar sem ele. E, inevitavelmente, um dia isso terá de acontecer. Enquanto Ronaldo não acaba, e há-de estar ainda longe esse dia, vamos contando com ele, estando muito perto até de se consagrar mais uma vez como o melhor do mundo, se houver justiça, como acredito que acontecerá.
A renovação na seleção era necessária e estamos a assistir a um momento histórico, porque está a acontecer com muito equilíbrio, com dignidade para quem deixa de a representar, com confiança nos novos jogadores de uma seleção que se quer sempre competitiva. Não é uma renovação abrupta, do género cortar rapidamente com o passado, mas uma renovação paulatina, como se quer quando se pretende ter sucesso.
A FPF está a fazer um trabalho que nos deve orgulhar a todos. São muitos os maus exemplos de renovações mal feitas na história do futebol. Não errar já é uma vitória, num país onde muitos se esquecem da responsabilidade de tratar este desporto com dignidade e seriedade. Com profissionalismo também e, já agora, com amor, porque a Seleção merece que a tratem com amor.
